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PSICANALISE_ZEN_BUDISMO Blog Masonry - Results from #312

Psicanálise e Zen-Budismo

Por Alê Esclapes -  O trabalho desenvolvido por Bion pode ser dividido em três ou quatro fazes, variando de acordo com o estudioso. Em uma primeira fase Bion vai de debruçar sobre as questões kleinianas de identificação projetiva e o pensamento esquizofrênico. Em uma segunda fase Bion mantém o seu objeto de estudo, mas muda o seu enfoque, se tornando mais “bioniano” que “kleiniano”, ainda que todos os elementos desse possam ser vislumbrados sem nenhuma dificuldade naquele. Uma tentativa de sistematização quase que matemática (o que lembra Lacan) da psicanálise é tentada por Bion.  Numa terceira fase, mais amadurecida e já ciente que essa tentativa não teria o sucesso pretendido, Bion vai abandonando lentamente o modelo matemático. Em uma quarta fase Bion se mostra mais “místico”, mais “holístico” em suas proposições. Não se deve aqui de forma alguma confundir o termo místico com modas e tendências da “nova era”. Bion vai encontrar algumas respostas a suas perguntas em São João da Cruz e Santa Edith Stein. Outro pensamento que sempre permeou o seu trabalho foi o pensamento Zen Budista, sendo nesse último que pretendo escrever, ou melhor dizendo, falar sobre onde podemos encontrar elementos Zen Budistas no pensamento de Bion. Os limites desses artigos se encontram primeiramente na não especialização do autor sobre Zen Budismo, tendo apenas estudos iniciais sobre o tema. O segundo se trata de identificar o que Bion queria dizer (sobre psicanálise) em sua última fase, que por ser mística, é motivo de diversas interpretações. Os artigos, portanto, são no máximo um exercício sobre as obras de Bion e do Zen Budismo, e não pretendem ser muito mais que isso. Nessa série de artigos será tratado um único texto do Zen Budismo – os preceitos budistas de acordo com Bodidharma ou Bodaidaruma, considerado o primeiro grande mestre do Zen budismo. Esse texto trata do juramento que o praticante faz para se tornar um “seguidor” oficial do Zen Budismo, ou “preceituado”. Em uma cerimônia especifica o praticante faz um juramento e recebe o seu nome budista. Maiores informações podem ser conseguidas no site do Zendo Brasil – www.zendobrasil.com.br . Segue abaixo o texto a ser trabalhado nessa série de artigos: Preceitos budistas de acordo com a escola Soto Zen do Japão. “Receber é transmitir,Transmitir é despertar,E despertar para a mente Buda,É o verdadeiro Jukai.” A natureza própria inconcebivelmente maravilhosa,No eterno Darma, não surgir o ponto de vista da extinção,É chamado não matar. A natureza própria inconcebivelmente maravilhosa,No Darma que não pode ser apanhado, não surgir o pensamento de ganho,É chamado não roubar. A natureza própria inconcebivelmente maravilhosa,No Darma do não-apego, não surgir o ponto de vista do apego,É chamado não ser ganancioso. A natureza própria inconcebivelmente  maravilhosa,No inexplicável Darma, não expor uma palavra,É chamado não mentir. A natureza própria inconcebivelmente maravilhosa,No Darma intrinsecamente puro, não surgir ignorância,É o chamado não ficar intoxicado. A natureza própria inconcebivelmente maravilhosa,No Darma sem faltas, não falar sobre erros e faltas,É não falar sobre erros e faltas. A natureza própria inconcebivelmente maravilhosa,No Darma da equinimidade, não falar do eu e dos outros,É chamado de não se rebaixar nem se elevar aos outros. A natureza própria inconcebivelmente maravilhosa,No Darma genuíno que está em toda a parte, não pegar uma coisa,É chamado de não ser avarento. A natureza própria inconcebivelmente  maravilhosa,No Darma do não-eu, não conceber uma realidade do eu,É chamado de não ser dominado pela raiva. A natureza própria inconcebivelmente maravilhosa,Não surgir a distinção de Budas e dos seres,É chamado não falar mal dos Três Tesouros. Bodaidaruma Daiossho(Tradução do texto em inglês de Maezumi Roshi pela Moja Coen Roshi).
BREVE_ABORDAGEM_AUTORES_POS_KLEINIANOS Blog Masonry - Results from #312

Uma breve abordagem sobre os autores pós-kleinianos

Por Yuri Moreira Avallone -  O objetivo deste trabalho é fazer uma leve abordagem do material trabalhado nos estudos sobre os Pós kleinianos, vamos tratar aqui apenas de partes dos artigos e não estes como um todo. Começando por Hanna Segal, dentro do artigo “Depressão no esquizofrênico”... ...ela nos traz entre outras abordagens uma que me chamou mais a atenção, Hanna Segal não interfere na sessão, não se envolve, fica sempre na sua posição de observadora, quer o paciente destrua seu consultório ou permaneça  calado, e é sobre esse silêncio que trataremos. Em alguns casos a fala do analista é levada pelo silêncio do paciente, esse silêncio algumas vezes causa na sessão um vazio, que pode parecer insuportável, e muitas vezes a fala do analista entra apenas para acabar com essa angústia. O analista deve suportar esse silêncio e o vazio trazido na sessão, pois esse vácuo pode ser no sentido de mostrar algo que está dentro do paciente, e quando é interrompido pelo analista impede que algo se manifeste.   Trouxe dois casos que pude presenciar como ouvinte de supervisão, dos quais não entrarei em detalhes além do necessário para exemplificar o conteúdo do artigo tratado acima. Vamos ao primeiro, na supervisão do dia 15/08/16 às 19:10 o colega M. C. trouxe o caso de uma jovem de poucas palavras que falava o mínimo e se calava, permanecendo um silêncio sepulcral no setting; o analista por sua vez não suportado esse silêncio acabou por dirigir a análise por intermédio de perguntas que levou a paciente por uma direção onde ele tinha o desejo de ajudar, aliviando assim sua angústia (do analista).  O caro colega por não suportar esse silêncio pôs a perder a livre associação. No segundo caso ocorrido na supervisão do dia 18/08/16 às 21:10, o colega L. foi convidado a falar e citou um caso em que o paciente falava muito pouco, tendo grandes intervalos de silêncio, o analista conseguiu suportar esse silêncio, controlou suas angústias de ter que falar algo para preencher o vazio criado na sessão. Ao terminar a sessão o paciente pediu para usar o banheiro, e quando saiu, em tom de riso falou ao analista, “ACABEI COM SEU SABONETE“, realmente ele tinha usado metade do frasco. O fato do colega ter suportado a angústia do silêncio mexeu com o paciente, na atitude de jogar o sabonete houve uma transferência. Continuando com Hanna Segal, vamos falar sobre o artigo “Equações simbólicas”, onde o símbolo tem aspecto concreto, porque ele não está no lugar de algo, ele é algo. Ela nos traz que em algum momento não há separação entre sujeito e objeto, o símbolo não pode ser tratado como algo que está no lugar do objeto, mas sim como o próprio objeto. Temos aqui a diferença entre concretude e simbolização; para trazer mais luz ao artigo, ela nos dá o exemplo de um paciente, que para ele, tocar violino é a mesma coisa que se masturbar. Isso é típico da posição esquizoparanóide, principalmente pelo uso da identificação projetiva; conforme o sujeito caminha para a posição depressiva essa concretude vai dando lugar a simbolização, havendo a separação do sujeito e objeto. Falaremos a seguir um pouco sobre os artigos de Betty Joseph, começando pelo artigo “Identificação Projetiva” ela nos diz que existe um ponto de equilíbrio nas diversas defesas do ego, a cisão, a idealização, a identificação projetiva. Se você mexer em um desses pontos acaba por mexer num todo, pode mexer na cisão e ter uma consequência no narcisismo e ou na onipotência e assim por diante. Neste artigo ela também nos traz que o paciente através da identificação projetiva envia para dentro do analista partes do self, atacando a própria percepção do outro, anulando o analista, não existe eu-outro e sim apena eu. Em seu artigo Betty Joseph nos traz um caso em que toda interpretação que fazia, o paciente dissolvia essa interpretação em pedaços, rearranjava da forma que lhe convinha e tomava essa interpretação como se fosse dele, como resultado disso em seu mundo de fantasia ele anula o analista, tirando-lhe toda a importância, isso é uma forte defesa contra a inveja. Ela também nos traz a identificação projetiva como comunicação do paciente para o analista, no caso do paciente N, durante uma sessão a analista começou a sentir desespero, e de repente toda a sessão mudou e houve progresso; esse desespero que sentiu não era dela e sim do paciente que estava lhe atacando com suas desesperanças, mas se ela não estivesse preparada para receber essa desesperança, se não soubesse o que fazer com essa desesperança, provavelmente fracassaria, é de extrema importância que o analista suporte essa dor, não entre em desespero e mantenha-se em sua posição. Entra aqui mais uma vez a importância do analista ser bem analisado, porque o analista mal analisado não vai conseguir separar o que é dele e o que é do outro e vai fracassar. Continuando com Betty Joseph no artigo “O paciente de difícil acesso”. Vou tentar conceituar aqui o paciente de difícil acesso,  este perfil de paciente sempre divide a personalidade em duas, uma chamada de necessitada, que é a que o analista deve procurar atingir com suas interpretações e está muito bem escondida nesse tipo de paciente, mas o analista vai ter que acessar para que a sessão tenha um bom desenvolvimento. A segunda parte da personalidade é chamada de não colaborativa que é a que o inconsciente apresenta ao analista para tentar sabotar a sessão, então temos no mesmo paciente o self 1 e o self 2, quando o segundo self está presente acaba gerando uma confusão mental no analista. Betty Joseph nos traz algumas situações de pacientes de difícil acesso. Uma das situações é quando a sessão aparentemente fica muito fácil, confortável para ambos, o analista deve ficar atento a isso porque não existe análise sem conflito, se isso estiver acontecendo podemos dizer que há um conluio entre ambos, quando está muito fácil estamos nos relacionando com uma parte não colaborativa do self. Betty nos traz a intelectualização da sessão, e o analista pode perceber que a sessão está intelectualizada quando está falando sobre o paciente e não ao paciente, a fala do analista segue num sentido que não está atingindo os sentimentos do paciente. Há também o paciente que sutilmente manipula a sessão chamando a atenção do analista para uma área que deseja, notei um essa situação num caso trazido para a supervisão pela colega M. S no dia 07/07/16 20:00, onde a paciente tentou seduzir a analista, lágrimas nos olhos, lamentos  levando-a para onde queria, a analista chegou a ficar penalizada com isso. Citei aqui apenas as que me chamaram mais atenção, mas existem outras situações em pacientes de difícil acesso.   “Transferência: a situação total” Betty Joseph. Neste artigo ela nos chama a atenção para a transferência como descreveu Melanie Klein em seu artigo “As origens da transferência” – “É minha experiência que, para se esclarecer os detalhes da transferência, é essencial que se pense em termos de situações totais transferidas para o presente, bem como em termos de emoções, defesas e relações objetais.” A autora diz que na situação clínica o analista deve prestar atenção nas emoções revividas pelo paciente na transferência, para poder identificar o que se repete, e também deve ficar muito atento às suas próprias emoções na contratransferência, que podem indicar algo em relação aos sentimentos de seu paciente, ou seja, estar atento a situação total. Da supervisão vou trazer apena um comentário feito à analista pelo supervisor no dia 11/07/16 às 19:20 “ A pepita de ouro numa sessão é o que acontece entre analista e paciente.” Dando continuidade a Betty Joseph citaremos o artigo “A inveja na vida cotidiana”. A inveja envolve basicamente duas pessoas, e inveja-se o que a outra pessoa possui, suas qualidades, conquistas, capacidades. Neste artigo a autora vai nos chamar a atenção para o sentimento de inveja dentro da sessão. Dentro do setting, quando o paciente percebe que o analista pode ou o está ajudando, esse sentimento aparece, (porque a inveja tem horror a dependência) se manifesta de várias formas: destruir no outro o que eu não tenho, o paciente tenta fazer o analista acreditar que suas interpretações não significam nada, são inúteis, e que o analista não é bom e está ali a toa. Outra situação é a reação terapêutica negativa onde o paciente tende a piorar, porque piorando ele quer dizer que o analista não tem capacidade nenhuma. No caso trazido pelo colega L.R. na supervisão do dia 07/07/16 às 21:25, a paciente falava pelos cotovelos, tomando todo o tempo da sessão dando pouco espaço para o analista interpretar, e quando esse o fazia ela não acatava suas interpretações, a paciente demonstrou sentir angústia de castração, e tentou durante toda a seção mostrar para o analista que ele também é um castrado e que não pode ajuda-la. Vamos falar a seguir de Roger Money-Kyrle e Irma B. Pick sucessivamente; Roger Money trouxe o artigo de 1955 “Contratransferência normal e alguns de seus desvios” neste material Roger nos diz que “pois é somente porque o analista pode reconhecer no paciente seu self inicial já analisado que ele pode analisar o paciente” para ilustrar um pouco cito um uma questão trazida pelo supervisor na supervisão do dia 25/08/16, a colega A. R. comentou com o grupo que tem dificuldades para encontrar o que está por trás do discurso do paciente, dúvida que muitos dos colegas afirmaram ter, a explicação veio na forma de pergunta. “Qual o sabor da laranja?” Além de ser uma resposta muito subjetiva, o sujeito só vai reconhecer o sabor da laranja após ter provado uma; quer dizer, o analista só reconhecer a angústia do paciente se já a tiver conhecido. É de fundamental importância para o analista conduzir uma boa sessão que sua análise pessoal esteja em dia. Neste artigo vimos que na contratransferência normal, o paciente faz a identificação projetiva e o analista se identifica, mas consegue sair da situação clínica e ir para a situação de observador para poder interpretar essa transferência; na transferência patológica o analista fica preso na situação clínica e não consegue interpretar. Roger nos traz duas situações que complicam a vida do analista na sessão, em uma delas o analista fica preso na situação clínica e a contratransferência pode ser de cunho esquizoparanóide, onde ele acredita que o paciente o calúnia, o persegue e quer mostrar sua ignorância, ou depressivo onde o analista se coloca no lugar onipotente do reparador. A segunda situação que nos é trazida é a do fracasso, onde o analista se sente fracassado por uma não melhora de seu paciente. Contratransferência é tudo aquilo que é gerado ao analista pelo paciente, o analista tem que saber o que fazer com esse sentimento, tem que sair da identificação, reconhecer a transferência ou contratransferência e separar o que é dele e o que é do paciente. Na supervisão do dia 29/08/16  às 19:15 a colega M.T.S. trouxe um caso onde a paciente reclamava que os pais a oprimiam e manipulavam, casou-se para sair da casa dos pais mas o marido também a controlava, agora namora uma mulher que também a controla, a analista se identificou com a situação e se colocou como o falo para a paciente, não conseguiu sair e se colocar em posição de observadora, ficou presa na situação clínica. Continuando com a contratransferência patológica temos a seguir um artigo de Irma Brenman Pick  “Elaboração na contratransferência” 1985, o qual nos traz mais situações que ocorrem na clínica, Irmã compartilha da mesma opinião de Strachey que diz, “a interpretação é algo que tanto o paciente como o analista temem”. Ela também nos diz que a vivência no setting é necessária, e o analista não pode acolher essa vivência sem senti-la, vivencia-la, e é justamente aí que entra o temor, pois é difícil sair da situação clínica e se colocar na posição de observador, e quando consegue estar fora da situação clínica para fazer sua elaboração, tem que ter empatia para com seu paciente, não pode ser frio, e ela nos diz mais, que interpretar em determinadas situações poderia ser um pouco cruel, o analista precisa elaborar uma interpretação ética, onde se possa colocar junto ao paciente, demonstrando que se importa com ele, se compadece de seu sofrimento, mas com o devido cuidado do par analítico não formar um conluio para se proteger dentro da análise, por exemplo, ambos podem negar conhecimentos desagradáveis mas permanecerem numa situação confortável.  “O analista, como o paciente, deseja eliminar o desconforto bem como comunicar e partilhar experiências; são reações humanas comuns. Em partes, o analista tem um impulso de encorajar, e algo disso será expresso na interpretação. Isso pode variar desde uma indulgência implícita, acariciando o paciente com palavras, até respostas hostis ou distantes ou gélidas que parecem significar que a carência da experiência que o paciente lamenta não tem importância alguma; uma afirmação de que a experiência mecânica de objeto parcial é tudo o que é necessário.” Este trecho citado acima pode nos trazer mais esclarecimento. Entre os autores estudados temos Edna O’Shaughnessy com o artigo “O Complexo de Édipo invisível. Edna vai nos dizer que determinados pacientes demonstram não ter complexo de Édipo  e castração, parecendo assim sem importância, mas ao contrário do que demonstram esses complexos estão lá, muito bem escondidos, é um caso de cisão de personalidade, onde parte do self fica guardado, protegido, é um pedaço do self onde se encontram o núcleo do complexo de Édipo e castração.  Os kleinianos dizem que “sua abordagem quando o complexo de édipo é o que estou chamando de “invisível”, é a de que ele é assim não porque não seja importante, mas porque é tão importante, e sentido pelo paciente (por qualquer que sejam suas causas) como tão inegociável, que este se utiliza de meios psíquicos para faze-lo e mantê-lo invisível.” Isso acontece quando os primeiros estágios do complexo de Édipo e castração são alcançados após um desenvolvimento perturbado, que por algum motivo o sujeito não suportou essa descarga emocional, tendo passado por muita dor psíquica;  então para evitar um retorno desse desconforto sentido na situação edípica inicial o sujeito cindi esse núcleo do Édipo e o esconde muito bem, para que não possa ser encontrado. Vamos ilustrar um pouco mais esse tema, vamos voltar lá na infância do paciente:  A cena primária traz dois traumas principais, o primeiro é a estimulação além do limite em que o ego pode suportar, o segundo é que a cena primária exclui a criança, que até o momento acreditava ser o centro da casa, e em determinado instante percebe que o papai ea mamãe formam um casal, do qual ele não faz parte e que eles fazem sexo, o que nunca farão sexo com ele, além da exclusão o sujeito passa a invejar a figura do casal parental. O sujeito não apenas sente uma excitação além do suportado, que não consegue lidar como também se sente excluído, de fora, sozinho; e o sujeito prefere viver com determinados problemas, ao encarar novamente essa situação edípica que lhe traz demasiada dor. Vou citar aqui um caso trazido na supervisão do dia 25/08/16 às 19:00 pela colega M.S.A. que acredito possa ter algo relacionado a esse artigo, paciente homem com discurso muito narcísico onde diz fazer oque quer, do jeito que quer, quando quer, acredita que seus relacionamentos o atrapalham, são estorvos, “não quero abrir mão de mim só quero encontrar um relacionamento compatível”. Na discussão da sessão ficou na dúvida em que posição do Édipo ele se encontrava ou se havia Édipo. Para finalizar os Pós-Kleinianos estudados temos Herbert Rosenfeld com o artigo “Uma  abordagem clínica para a teoria psicanalítica das pulsões de vida e de morte: uma investigação dos aspectos agressivos do narcisismo”; o núcleo deste artigo é o conceito de organização narcísica. Organização narcísica é quando a pulsão de morte por um processo chamado fusão patológica (na fusão das pulsões a pulsão de morte sobressai de forma agressiva e violenta a pulsão de vida, enquanto que na fusão normal a energia destrutiva fica atenuada e neutralizada), um ou mais self que se formam dentro do self principal, como se tivessem vida própria esses selfs se juntam para sabotar o relacionamento EU – OUTRO e ficar em uma situação que a dependência possa ser evitada, temos casos gravíssimos em que o self principal é totalmente subjugado por essas organizações narcísicas, e como resultado o paciente parece alienado ao mundo, incapaz de pensar podendo assim perder o interesse pelo mundo externo e quer ficar só na cama, sente-se perdido. Na análise desse tipo de paciente encontramos hostilidade e desconfiança além de muita resistência e uma força que se defende a todo custo da cura e que está decidida a agarrar-se à doença e ao sofrimento. Segundo Rosenfeld quando esse paciente na clínica percebe a realidade e que de certa forma está dependendo das interpretações do analista, ele quer morrer, negar o fato de seu nascimento a depender do outro, e com certa frequência o paciente quer desistir da análise, começa agir de forma autodestrutiva no seu meio social e profissional em alguns casos podem tornar-se suicidas, preferem desaparecer no esquecimento ao invés de reconhecer sua dependência, a morte é idealizada como uma solução para todos os problemas. O autor nos diz que “No entanto, analiticamente podemos observar que o estado é provocado pela atividade das partes invejosas e destrutivas do self, que se tornam gravemente cindidas e difusas do self libidinal cuidadoso, que parece ter desaparecido. Todo o self fica temporariamente identificado com o self destrutivo, que busca pelos pais e pelo analista, destruindo o self libidinal dependente, vivido como a criança.” Organização narcísica é uma defesa contra a inveja, que é o medo da dependência. Como foi colocado no início, este texto trata-se de apenas uma abordagem parcial dos trabalhos desenvolvidos pelos autores citados.
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As perversas chuvas de verão

Por Ale Esclapes -  Donald Meltzer definiu de uma forma muito particular a perversão na psicanálise, e John Steiner seguindo seus passos fez uma excelente contribuição à psicanálise ao se inspirar em Bion. Esses três autores nos legaram uma nova interpretação do mito de Édipo – este mito seria menos sobre desejos que sobre verdades. Todos na peça sabiam da profecia, todos a viram serem cumprida, mas até que a situação estivesse em uma situação insuportável, todos agiam “como se” ela não existisse. Será que Jocasta não sabia que estava destinada a casar com um homem mais novo que seria seu filho? Édipo não sabia que mataria seu pai? Sim, todos sabiam, o que não impediu o destino de se cumprir. Mas todos agiram “como se” não soubessem. E essa seria para esses autores, a forma básica do pensar perverso – agir “como se” a verdade não existisse. E o que vemos hoje em relação às mortes com as chuvas é pura perversão. O governo age como se não fosse sua responsabilidade fazer cumprir a lei de ocupação de solo. Como se não fosse sua obrigação retirar as famílias que invadem áreas de risco, não importando sua classe social. Como se não tivesse feito promessas na inundação do ano passado, e do outro, do outro, etc ... A população age como se não soubesse que construir casas ao lado de córregos e rios não fosse perigoso. Se espantam quando rios transbordam, porém jogam lixo indiscriminadamente em qualquer local, como se esse lixo não retornasse na forma de inundações e doenças para os mesmos. Constroem casas constantemente em locais de risco como se isso não fosse de sua responsabilidade. E no final de tudo termina como no mito de Édipo. O governo nega tudo até não ter mais alternativa, a população se coloca no papel de vítima como o povo em Tebas. Por fim todos somos devorados pela Esfinge. E daqui algum tempo, tocaremos nossas vidas como se nada disso tivesse acontecido e não fosse acontecer novamente.
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Uma breve análise do complexo de Édipo no menino

Por Andreia Rodrigues dos Santos -  Por volta dos 03, 04 anos a criança já teve experiências de perder objetos que achava vitais em sua vida, ou seja, a criança edipiana é perfeitamente capaz de se representar à perda de um objeto que lhe era importante e temer que isso se repita. Nessa fase o prazer do menino já é voltado para o pênis. Representante do desejo o pênis é então dito falo. Falo não é o pênis enquanto órgão – falo é um pênis fantasiado, idealizado, símbolo da onipotência e de seu avesso, à vulnerabilidade. - Os três desejos incestuosos: Quando o menino se vê excitado sexualmente e orgulhoso de seu poder, esse menino de 4 anos se vê desejoso de ir de em direção ao Outro, em direção aos seus pais (ou tutores). Sexual, quer dizer mais que genital, sexual quer dizer: ‘Deixa-me olhar teu corpo nu! Arranca-lo, senti-lo, beija-lo, devora-lo e ate mesmo destruí-lo. A criança deseja os corpos daqueles que ama: o pai, a mãe, o adulto tutelar; numa tentativa infantil de realizar em desejo incestuoso irrealizável, cujo objetivo não é o prazer em si, mas o gozo – o gozo nesse termo seria a fusão total. No desejo incestuoso mítico no menino (desejo de possuir o outro, desejo de ser possuído pelo outro e desejo de suprimir) o menino cria fantasias que lhe dão prazer ou angustia, mas que satisfazem imaginariamente seus loucos desejos. A fantasia tem como função substituir uma ação ideal que tenta proporcionar um gozo não humano por uma fantasia que baixa a tensão do desejo e suscita prazer, angustia ou ainda outros sentimentos penosos. A queda da tensão psíquica também pode se traduzir por um sofrimento consciente. As sensações despertam o desejo, o desejo remete à fantasia e a fantasia se atualiza através de um sentimento, um comportamento ou uma fala: dai entra a análise. Vamos as fantasias: fantasia de possuir o outro: fantasia de possessão, Ex: apoderar-se da mãe e tê-la só para si; fantasia de ser possuído pelo outro: criança tornar-se objeto (criança imagina-se possuído – a criança seduz para ser seduzida e na fantasia se isso prevalece causa uma histeria masculina difícil de ser tratada chamada de pedra de castração; fantasia de suprimir o outro: tomo pra mim. - As três fantasias de angustia de castração: as fantasias de prazer também desencadeiam profundas angustia – o menino tem ser punido – seu maior medo é perder o falo que ele tem- essa angustia é inconsciente, ela nunca deixa de ser inconsciente. A angustia é o avesso do prazer, apesar de indissociáveis. A castração é tudo aquilo que me tira o prazer, é a frustação. O Édipo mal resolvido suscita as neuroses adultas, a evitação da castração causa neuroses, tiques, manias, perversões. A angustia de castração e o seu retorno como recalcado na vida a adulta é a medula espinhal da neurose masculina.  O prazer e o medo de ser punido esta na base dessa neurose, logo o Édipo é uma neurose.   O menino ao ver o corpo nu de uma menina percebe que ela não tem um pênis, com isso o menino acha que a menina fez algo e perdeu seu pênis, desde então o menino deve com medo de perder o seu também, logo ao inverso da fantasia de prazer, tem-se as três fantasias de angustia: se a angustia é possuir a mãe= o pai pode castrar (pai repressor); se a angustia de prazer é de sedução (de ser possuído pelo outro) – pai sedutor castra. O pai é um amante que o menino deseja – o castrar aqui significa perder a virilidade, tornando-se mulher objeto do pai; se a angustia de prazer é uma fantasia de afastar o pai rival – a ameaça incide novamente no pênis-falo (pai odiado). A resolução do complexo de Édipo no menino: a dessexualização dos pais: angustiada, a criança se esquiva dos pais para manter seu pênis-falo. É o pênis que ele protege e é a mãe que ele abandona. Ao renunciar a mãe, dessexualiza globalmente os dois pais, e recalca os desejos, fantasias e angustias. Aliviado, pode agora abrir-se á outros objetos de desejo, mais legítimos e adaptados as suas possibilidades reais. Para o homem, o sexo, a virilidade e a força são coisas a serem defendidas a todo custo, e quando esse complexo mal resolvido retorna como neurose, a culpa e o medo colocam o homem numa posição onde as possibilidades permeiam ao pai castrador, ao pai rival e ao pai odiado. Os frutos do Édipo: o supereu e a identidade sexual: o supereu é instituído graças a um gesto do psiquismo: o menino abandona os pais como objetos sexuais e os mantem como objetos de identificação. Na impossibilidade de tê-los promete ser como eles, e os sentimentos que exprimem são pudor, senso de intimidade, vergonha e delicadeza moral.
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O Édipo no menino – o complexo que todos deveriam entender

Por Paula Carosio Araújo Saldanha -  Venho elucidar o que aprendi com o tema “Édipo do Menino” estudado no livro de J.D. Násio- Édipo o Complexo do qual nenhuma criança escapa”, e mais, como devemos aplicar esse conhecimento na prática clínica. Com a leitura da primeira parte do livro o qual trata-se especificamente do menino, vi o quanto é importante o entendimento de todo o Complexo de Édipo vivido por uma criança para que possamos analisar nossos pacientes na vida adulta. O édipo portanto, sendo essa chama de sexualidade vivida por uma criança em relação aos seus pais, a matriz da identidade sexual que será definida na crise edipiana; a base da neurose infantil e modelo para todas as neuroses adultas, é essencial para toda organização dos conceitos psicanalíticos, é o conceito soberano. Sabe-se que para os meninos o pênis, por volta de seus três a quatro anos, é seu objeto mais amado e precioso, motivo pelo qual também representa seu órgão mais frágil e temido. Todo esse poder, vulnerabilidade e fraqueza, denomina-se o nome de “Falo”. Se desde a infância o menino teme a perda desse objeto/Falo essencial para ele, Násio irá traz nesse livro, portanto que a capacidade da criança de entender a perda de algo tão importante, de entender a falta são indispensáveis para a compreensão de como se formam a fantasia de angústia de castração no menino e como ele sairá do Édipo. Quando se pensa em alguns casos clínicos verifica-se que o Édipo está presente em 90% dos casos. Em participações a grupo de estudos e grupos de discussões de casos clínicos sobre as neuroses adultas vemos a importância que se faz do Falo para o paciente masculino. Toda a relação de poder, seja no trabalho, seja para com a mulher e filhos ou até em relacionamento com amigos, o homem tem a necessidade, um desejo operante em suas vidas. Esse desejo Násio classificou em desejo de possuir, ser possuído ou suprimir o Outro. E o descreve como os três desejos incestuosos: “O desejo virtual, nunca saciado, cujo objeto é um dos pais e cujo objetivo seria alcançar não o prazer físico, mas o gozo.” Posteriormente aos desejos, Násio descreve as fantasias de prazer como uma ação que baixa a tensão do desejo que suscita prazer ou angústia. Essas fantasias se tornam uma proteção, nem sempre prazerosa, porém com uma função de descarga para que outro mal pior não apareça. Observa-se que essas fantasias ocorrem diariamente na vida dos pacientes e nós, analistas, temos que reconstruir as cenas fantasiadas. Sendo que cada desejo incestuoso irá corresponder a uma fantasia de prazer específica. A fantasia de possessão corresponde ao desejo de possuir o outro; a fantasia de ser possuído que obviamente corresponde ao desejo de ser possuído pelo outro, é uma fantasia de sedução, inclusive causa de histeria masculina; e por fim a fantasia de suprimir o Outro, o sujeito fantasia com a destruição do outro provocando grande prazer sexual. Chegamos agora na angústia de castração, mais frequente e mais visivelmente observada em consultório. Todas as fantasias citadas acima causam grande prazer, porém podem desencadear uma grande angústia. A angústia de ser punido com a mutilação do Falo inconsciente é manifestado na criança através de medos e pesadelos. Essa angústia de castração Násio diz ser a medula espinhal do psiquismo do homem. Essa angústia é o avesso do prazer, portanto todo homem vive um conflito entre prazer e medo de punição. Esses sentimentos são base de todas as neuroses. As três fantasias de angústia de castração consequência aos desejos e fantasias são: o pai é um repressor temido; o pai é um tarado temido; o pai é um rival temido. Essa angústia será recalcada na infância e veremos que a neurose na idade adulta é o retorno da angústia de castração mal recalcada na infância. Nas sessões analíticas foi observada que de uma maneira geral que os homens vivem esse conflito com perda do poder que julga possuir. Quando os pacientes trazem problemas de trabalho, relacionamentos é visível essa disputa e medo de perda do Falo. E quando ficam preocupados com essa disputa ou perda, acabam negligenciando outras coisas mais importantes e necessárias em suas vidas. Existe duas consequências de todo esse processo vivido no Complexo de Édipo pelo menino; a formação do supereu e a confirmação de uma identidade sexual. O supereu é formado no momento em que o menino percebe que não pode ter os pais escolhe ser como eles, em seus ideais, fraquezas e ambições. Na fase adulta do homem observamos sua moral, intimidades e todos os seus sentimentos refletidos desde a formação do seu supereu. A identidade sexual é forjada ao mesmo tempo descobrirá a masculinidade e a feminilidade que não necessariamente correspondem à realidade fisiológica e anatômica de um homem e de uma mulher. Concluo dizendo novamente a importância do entendimento do Complexo de Édipo no menino para entendermos o adulto e suas neuroses, angústias, frustrações. Como é vivido a angustia de castração e seu recalcamento em cada paciente é essencial para uma analise eficaz de um psicanalista.
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Evento: Como se forma um psicanalista? - com as psicanalsitas Lilian R. Afonso e Débora Matzenbacher - 20/02/2024

Afinal, como se forma um psicanalista? Quais são os critérios? O que é um psicanalista? Qual a diferença entre psicanálise, psicologia e psiquiatria? Esse evento foi para você que não tem nenhuma informação sobre essa área, ou que já fez uma pesquisa e não entende as razões de uma Formação em Psicanálise ser oferecida por instituições com investimento total que pode superar R$ 500 mil e ter duração de 10 anos, e outras com valores que chegam a ser oferecidos em até 12x de R$99,00 com duração de seis meses. Nesse encontro vamos abordar esses e outros temas ligados a formação do analista. Data/horário: 20/02/2024 (terça-feira) 20hs Convidados: Lilian R. Afonso e Débora Matzenbacher - São psicanalistas, membros efetivos da EPP-Escola Paulista de Psicanálise e do Instituto Ékatus. Investimento: Evento online, gratuito e realizado por videoconferência. Necessária a inscrição prévia, número de vagas limitadas.  Organização: Grupo Ateliê de Ideias - Ale Esclapes; Adriane Watanabe; Fernanda Hisaba; Giuliana Sagulo; Lilian Afonso e Mauro Costa. Haverá emissão de certificados de participação: Ao final do evento será disponibilizado um link para um formulário de pesquisa de satisfação e emissão de certificado válido somente para o dia do evento. _______________________________Dúvidas: Tel.: (11) 3628-1262; WhatsApp (11) 9 9876 9939 ou Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. Atenciosamente, Equipe EPP.
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Do Eu ao Édipo

  O conceito mais básico de objeto é de representação de coisas – Consiste num investimento, se não de imagens mnésicas mas afastadas, derivados dela. Deriva da coisa essencialmente visual, percebida pelo inconsciente. (Laplanche e Pontalis – Dicionário da Psicanálise). A representação de coisas pode ser exemplificada como um ator, enquanto a phantasia uma peça de teatro. Como mecanismo de defesa, a cisão vem separar objetos bons e maus. O neurótico e borderline apresentam uma dissociação, sendo esta na verdade uma cisão que evoluiu atingindo o valor simbólico. Agora, os objetos já simbolizados podem ser separados. Exemplo: Seio bom/ Seio mau. Nessa fase, somente existe o “ou”. Exemplo: O pai é bom ou mau. Ainda não ocorreu a evolução para o “e’, onde o mesmo objeto torna-se bom e mau. No processo de cisão, ocorre um processo de integração entre psique, soma e meio ambiente. A cisão ajuda a organizar o que antes estava desorganizado, separando o bom do mau, e mais adiante vai evoluir para a ambivalência, passando então a existir o “e”, aplicando-se ao mesmo objeto: Seio bom e mau. A phantasia tem força de realidade. Klein aponta para os objetos reais e imagos irreais vivendo lado a lado na criança pequena. “Esses objetos reais e irreais são vivenciados ao mesmo tempo; são excessivamente objetos bons ou maus, mas num plano diferente”.(Melanie KleinPsicanálise de Criança-  Cap. IX -  pg171). Os objetos maus serão sentidos como ameaçador e perseguidor. Na cisão, o ego divide os objetos e assim modifica o medo que sentia do superego, modificando-o, projetando-o para um objeto externo.   “Certas pessoas assumem o objeto ameaçador; a mãe assume o papel de objeto protetor”. (Melanie Klein – Cap. IX - pg173– Psicanálise de Criança). Existe uma relação entre o conceito de neurose e introjeção e identificação. Na introjeção, eu tenho a representação de coisas como objeto. Diante deles, o ego tentara suprimir (destruir, projetar) ou possuir estes objetos onipotentemente, em uma tentativa de conservar seu narcisismo primário. Entendemos por introjeção uma incorporação. O bebê vai introjetar tudo aquilo que é bom e projetar no meio tudo o que é mau. Uma boa mãe introjetada ajudara na formação de um objeto bom, enquanto seus medos e ansiedades podem ser expelidos para objetos externos, como por exemplo as fobias. Logo, objetos externos podem se tornar perseguidores e maus. Nesta fase, se as imagos boas protetoras (objetos bons) não forem suficientes para contrabalançar esta relação entre imagos boas e más, a criança sofrerá uma perseguição paranoica. Klein define fobia como medo de sua própria pulsão destrutiva e dos seus pais introjetados, e a ansiedade fóbica surge quando seu objeto é percebido.  Em relação às imagos introjetadas, em sua phantasia o bebê ataca o corpo de sua mãe e posteriormente vai ter medo da retaliação contra seu corpo por parte dessa mãe má interna. Essas ansiedades são sentidas dentro do corpo, logo, é em seu interior que as restituições devem ser feitas. Porém, não se pode ter certeza quanto às destruições causadas e as reparações feitas ao corpo da mãe. Estas duvidas dão origem as necessidades compulsivas de arrumar aquilo que foi desarrumado, criando para isto regras e manias compulsivas. É essencial que se arrume aquilo que foi estragado. “No neurótico obsessivo, a coerção infligida contra outras pessoas é o resultado de uma projeção multiforme: Tenta se livrar da compulsão intolerável que esta sofrendo – trata seu objeto como se fosse o id ou seu superego e deslocando a coerção para fora; Assim, satisfaz seu sadismo – atormenta e subjuga seu objeto; Esta pondo para fora em seus objetos externos, seu medo de ser destruído por seus objetos introjetados. Esse medo despertou nele uma compulsão de controlar e governar suas imagos” – (Melanie Klein – Cap. IX – pg186- Psicanálise de Criança). Se tudo deu errado e o objeto causador de ansiedade continua muito presente, a criança então vai se identificar com ele – tornar-se igual a ele, buscando assim não ser destruído por este objeto. O problema nessa identificação é que a criança se torna então igual a sua mãe, porém ela não é sua mãe. No entanto, nasce um registro que dita “você tem que ser igual a sua mãe”. Assim, esse registro é o que entendemos por superego. Logo, ao final de toda identificação, nasce o superego.Este registro que aponta e diz para o ser que ele tem que ser igual a sua mãe, entendemos como ideal do ego (aquilo que esperam que eu seja). Toda identificação possui um superego embutido. A criança não é a mãe, mas "tem que” ser. Todo ser humano introjeta (psicose)  e depois se identifica (neurose) com seus objetos. “A neurose obsessiva é um meio de modificar situações de ansiedade arcaicas e que o superego severo da neurose obsessiva não é outro senão o superego aterrorizador não modificado”. (Melanie Klein – Cap. IX – pág. 184– Psicanálise de Criança). A repressão começa na primeira identificação (antes da fala); Aqui começa o processo simbólico. No entanto, a mãe não resolverá o problema do bebê. A plenitude não será alcançada através da mãe. Um terceiro elemento surge como promessa de alcançar a plenitude – O falo (tudo aquilo que não é minha mãe, mas esta possui); Ao final da posição depressiva, o bebê deve ter um registro do seio, ideal do ego e do falo. Como herdeiro do narcisismo do bebê, o falo agora é aquele que resolverá todos os seus problemas, e o lançara em direção à plenitude, tendência da pulsão de morte. Inicia-se o processo de simbolização com palavras. Primeiramente, o bebê nomeia o falo como leite, depois coco, depois chocalho até finalmente chegar no pênis. Os mesmos desejos anteriores de suprimir, possuir e identificar, surgirão novamente agora em relação ao falo. A relação antes vivida a dois, passa agora a ser formada pelo triangulo – bebê / mãe / falo. Como o bebê já passou anteriormente pelo processo de suprimir, agora ele vai diretamente para o “possuir”. Logo, em sua phantasia, ele possuiu o falo. Sente-se potente internamente, detentor do seu próprio herdeiro do narcisismo. Do ponto de vista corporal, começam a surgir estímulos das zonas erógenas, ganhando primeiro plano os genitais. O que antes era objeto de amor, agora é ressignificado, tornando-se objeto sexual – epifania sexual. Os pais tornam-se objetos sexuais. Logo, a partir do seu desejo sexual, o bebê deduz que seus pais também sentem este desejos e prazeres, começando a entender que o mundo é feito de objetos sexuais.   Os pais tornam-se “seus” objetos sexuais. Surgem duas mães distintas: aquela que alimenta, dá o leite, carinho, ou seja, uma mãe assexuada, e uma mãe aquela que é objeto sexual. Um fator importante acontece para tornar este novo cenário confuso. As crianças descobrem as diferenças sexuais. A partir de agora, não é mais um ser único. O cenário enlouquece. Inicia-se o édipo e a castração. No menino, tal processo se dá da seguinte forma: suas sensações   erógenas do pênis apontam para sua mãe. No entanto, esta pertence ao pai, que também possui um pênis. A confusão se dá pelo fato da mãe seduzir a criança a deixar a masturbação e de certa forma se oferecer como objeto de desejo. Porém, a figura do pai aparece e impede a realização desse desejo. Assim, a criança fica em um estado confusional. Não pode se masturbar, e não pode desejar a mãe. Logo, a pedra de toque da neurose está exatamente neste ponto, onde uma espécie de promessa é formulada da seguinte maneira: “Se você (bebê) esperar uns dez anos para se resolver, eu vou te amar”. Assim, se o bebê fizer esse sacrifício, será amado pelos pais.  A mãe se coloca diante do bebê como se dissesse: não me tome como objeto de desejo, mas sim de amor. em relação ao pai, a criança pode suprimir, possuir ou identificar-se com este opositor. Sua identificação poderá ser de duas formas: coito ativa/passiva e tornar-se igual. O menino também entra em uma simbiose com o pai, desejando devora-lo e ser devorado, dar e comer, e este desejo gera a principal angustia do Édipo – desejar o pai... O genitor do mesmo sexo torna-se o maior problema do édipo. Ao final do Édipo, os pais serão dessexualizados, porém a angustia não cessará, mas será adiada. O menino tem o falo, identificou-se com o pai. Prefere o falo (aquele que lhe dará a esperança de retornar à plenitude) à sua mãe. Sua grande angustia de castração é perder este falo (perder o narcisismo), a perda da autoestima.
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Considerações sobre a teoria dos sonhos

Por Janete Vilella -  A Psicanálise é um termo que serve para se referir a uma teoria, a um método de investigação e a uma prática profissional (clínica). No desenvolvimento da Psicanálise, Freud produziu tudo isso ao mesmo tempo. Porém, ela é, antes de tudo, um método, um instrumento de pesquisa, sendo que a obra mais importante e decisiva na sua historia, é a “Interpretação de Sonhos”, exatamente por estar voltada para o estudo de problemas clínicos. A grande originalidade de Freud foi valorizar os sonhos como possibilidade de conhecimento do inconsciente. Freud tinha como objetivo demonstrar que os sonhos podiam ser interpretados ou seja, que os sonhos tinham um “sentido”. Para Freud, os sonhos, juntamente com os atos sintomáticos, os esquecimentos, os lapsos, os chistes, são fenômenos dotados de “sentido”; não ocorrem ao acaso e são ótimos meios de se chegar aos processos inconscientes. Sabia que estava contra a corrente da ciência do seu tempo, que acreditava que os sonhos não eram um ato mental e sim um processo somático, ou seja, o sonho acontecia motivado por indicações registradas no aparelho mental. Freud sabia que fora da ciência acreditava-se que havia no sonho um sentido oculto e  que esse interesse popular pelo sonho e por sua interpretação  vinha desde o  mais remoto tempo, sendo que para interpretá-los dois métodos eram usados: 01-Simbólico: em que o sonho é analisado em seu aspecto  geral, sendo o conteúdo confesso  mudado para um outro de igual teor, inteligível. 02-Decifração: em que o sonho é analisado, não em seu aspecto geral, mas em cada um de seus componentes, ou seja, cada parcela do conteúdo dos sonhos. Quanto mais Freud se empenhava em estudar seus casos clínicos, mais profundamente  observava a influencia que os processos inconscientes tinham na vida das pessoas.  Percebeu que seus pacientes ao falar sobre seus problemas, contavam também os seus sonhos. Esses relatos lhe mostravam que, ao rastrear a trilha que levaria ao sintoma, podia-se seguir uma ideia patológica e o sonho fazia parte dessa cadeia psíquica. O sonho poderia ser tratado como um sintoma, portanto, poder-se-ia aplicar ao sonho o mesmo método de interpretação criado para os sintomas. Ficou claro para Freud que os sonhos realmente tem um sentido e que é possível ter-se um método científico para interpreta-los. Acabara de encontrar a chave para chegar aos conteúdos mais reprimidos do indivíduo. Percebeu o mestre que, ao narrar seus sonhos o paciente deixava de ter uma atitude crítica sobre o que falava ou pensava. Assim, duas mudanças muito importantes  aconteciam durante a narração do sonho: Havia um aumento da atenção que o paciente dispensava as suas próprias percepções psíquicas  e,  a eliminação da crítica pela qual ele filtrava  os pensamentos que lhe ocorriam. Dessa atitude do paciente, percebeu Freud, dependeria o êxito do tratamento psicanalítico. O método de interpretação de sonhos de Freud era diferente do método simbólico e, embora se aproximasse do método da decifração  tem sobre ele diferenças profundas. Embora analise os sonhos em suas várias partes, como um conjunto de informações psíquicas, não tem, como na decifração , um código fixo para cada parte do sonho. Pelo contrário, Freud constatou que cada parcela de conteúdo variava para cada pessoa e cada contexto.  Seu método, portanto, era interpretativo / associativo. Associativo por que se formava uma cadeia associando as representações verbais. Mas, foi ao analisar seu próprio sonho, no qual aparecia Irma, sua paciente, que Freud percebeu que os sonhos são a realização de desejos e que todo desejo é representado por uma forma verbal. No sonho, os desejos não são descarregados na ação e sim satisfeitos de forma alucinatória. Freud chamou a esses sonhos  sem conflitos, de sonhos infantis. A partir dessa constatação, Freud começa a desenvolver a noção de censura, de repressão, recalcamento, considerando essa última como um dos pilares da Psicanálise.
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Longe da árvore - Andrew Salomon

Por Ale Esclapes -  Freud nos ensina que o amor paterno/materno é baseado no que ele chamou de “forma narcisista de amar” o que significa que os pais amam os seus filhos a partir do que eles são, foram ou gostariam de ser. Em outras palavras é um amor egoísta, sendo uma visão bem menos romântica que o conceito de "Família Doriana". E o que acontece quando os filhos não correspondem a essa expectativa egoísta dos pais? O que é realmente aquilo que costumamos chamar de “amor materno/paterno”? Em um livro corajoso e emocionante Andrew Solomon nos traz um retrato de famílias onde o filho é um fruto que caiu muito Longe de sua Árvore. Nele, o autor investiga famílias cujos filhos são surdos, autistas, anões, gays, etc... e propõem essa discussão em um patamar realista, mostrando as dificuldades tanto do lado dos filhos quanto da família. O primeiro capítulo faz uma investigação teórica sobre o que envolve esse contexto, mas ao mesmo tempo mostra toda a discussão para o aspecto cotidiano a partir da experiência do próprio autor, que é judeu e gay. Nos demais capítulos traz depoimentos de diversas famílias que lidam diariamente com seus filhos. Um livro que vai além dos aspectos técnicos, tanto psicológicos quanto políticos, recolocando a discussão no que tem de mais humano – os desafios e cotidianos dessas famílias e nos mostra uma real dimensão do que a palavra “diversidade” significa.___________Autor: Andrew SalomonEditora: Companhia Das Letras
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Inveja e gratidão

Por Ale Esclapes -  Inveja é um sentimento que nos impede de ter acesso às coisas boas da vida. Ela é prima do orgulho. Juntos nos isolam das pessoas queridas, nos jogando em uma solidão muitas vezes insuportável. O invejoso não consegue reconhecer as coisas boas que outra pessoa pode dar, e muitas vezes responde com agressividade e destruição com aqueles que podem ajudá-lo, ou possuem algo que lhes dá admiração. No fundo da inveja existe uma profunda baixa estima, encouraçada por um orgulho que visa a fornecer uma ilusão de onipotência. Essas pessoas se consideram as melhores, o que fazem geralmente é espetacular, e acreditam que tudo o que tocam viram ouro. São pessoas normalmente classificadas como orgulhosas, arrogantes, onipotentes, e ... solitárias. Inveja é diferente de cobiça. Na inveja, por exemplo, deseja-se aquilo que o outro tem e que eu admiro, mas de uma maneira muito particular: se eu tenho uma roseira bonita, o invejoso deseja a MINHA roseira, ou deseja que a roseira MORRA, para ninguém tê-la. Aquele que cobiça, deseja ter UMA roseira, mas não a minha. De uma forma geral: o invejoso deseja aquilo que eu tenho de bom, ou destruir o que eu tenho de bom. Aquele que cobiça deseja algo igual ao que possuo, mas não exatamente o que possuo. A gratidão, ao contrário da inveja, é um sentimento que permite que se tenha acesso às coisas boas do outro. Aquele que é grato reconhece no outro algo que falta em si, e nem por isso tem uma baixa estima. Muito pelo contrário. Feliz aquele que sabe suas faltas e sabe buscar isso no outro, mas não de uma forma destrutiva, mas como resultado das trocas normais de um relacionamento. Quando nos relacionamos em sociedade, no trabalho, num namoro ou casamento buscamos que os outros nos complemente em nossas faltas básicas. Podemos nesse sentido entregar para o outro o fruto de nossos dons que podem cobrir a falta do outro, e o outro, da mesma forma conosco, tornando a vida mais feliz. Um exemplo simples seria um casal em que um é desorganizado e decidido, e o outro, organizado e indeciso. Juntando tudo, temos um bom casal, desde que haja respeito mútuo em relação às diferenças. Nesse caso pode aparecer a gratidão. O invejoso não consegue isso, pois no caso do casal acima, não poderia haver troca. Caso o desorganizado seja o invejoso, esse procurará usufruir da organização do outro sem nada entregar em troca. E em uma ocasião muito comum, ele procurará exigir mais do que o outro pode dar. A partir daí ele pode anular tudo o que o outro tem de bom. Essas relações desagregam. O mundo é um farto banquete a nossa disposição. Quando não conseguimos usufruir dessas coisas boas, a inveja muitas vezes é a vilã dessa situação.
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A memória e o inconsciente

Por Alê Esclapes -  Em psicanálise o conceito de inconsciente esta intrinsecamente ligado ao conceito de memória. A repressão é o que acaba por organizar essa ligação. Em um dos mais importantes artigos sobre técnica já escritos, Freud trabalha bem esse tema em Recordar, Repetir e Elaborar, de 1914. Mas a memória não é composta apenas de material reprimido. No “projeto para uma psicologia científica” de 1895 Freud nos dá uma ideia de memória como armazenamento – a informação estaria guardada a espera de ser reutilizada pelo aparelho psíquico, e daí surgiram conceitos como facilitação e barreira de contato. Bion seguindo Freud vai nos dizer que a memória é o desejo olhando para trás. Quando lembramos de algo, fazemos uma seleção de dados afim de construir o que chamamos de memória. Daí sua recomendação técnica – que o analista trabalhe sem memória e sem desejo – o tecnicamente seria a mesma coisa. Mas vamos para um exemplo mais simples. Sabe aquela praça enorme que você brincava quando era criança?  Lembra daquele amigo que não vê faz 20 anos? E que quando você volta aquela praça e revê seu amigo toma um susto – no caso da praça era nem é tão grande assim, e seu amigo agora é careca e barrigudo? O que será que acontece nesses casos? Será que somos traídos pela memória? Talvez não, talvez precisamos ver que a memória precise de atualização. É um conceito muito parecido com o de recordar no artigo já citado de Freud, mas de uma forma muito mais ampla. Nossa memória simplesmente não se atualiza sem estímulos esternos. Nossas lembranças ficam congeladas, imóveis, guardadinhas, independente de princípios de prazer, repressões, etc ... Qual seria a utilidade disso? Do ponto de vista técnico ampliar a discussão sobre o recordar, e quem sabe universalizar esse conceito para outras idades do desenvolvimento humano que não apenas a primeira infância, sem claro desmerecer a importância dessa fase. Do ponto de vista pessoal, é saber que sem cultivar nossos relacionamentos eles podem estar sendo condenados a um congelamento, e que em caso de descongelamento, não sobrevivam a essa criogenia.
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Jacques-Marie Émile Lacan - Vida e obra

Por Ale Esclapes -  Foi um psicanalista francês. Formado em Medicina, passou da neurologia à Psiquiatria, tendo sido aluno de Gatian de Clérambault. Teve contato com a psicanálise através do surrealismo e, a partir de 1951, afirmando que os pós-freudianos haviam se desviado do sentido da obra freudiana, propõe um retorno a Freud. Para isso, utiliza-se da linguística de Saussure (e posteriormente de Jakobson e Benveniste) e da antropologia estrutural de Lévi-Strauss, tornando-se importante figura do Estruturalismo. Posteriormente encaminha-se para a Lógica e para a Topologia. Seu ensino é primordialmente oral, dando-se através de seminários e conferências. Em 1966 foi publicada uma coletânea de 34 artigos e conferências, os Écrits (Escritos). A partir de 1973 inicia-se a publicação de seus 26 seminários, sob o título Le Séminaire (O Seminário). Cronologia: - 1901: Nasce em Paris, no dia 13 de abril, Jacques-Marie Émile Lacan, primeiro filho de uma próspera família católica. - 1907: Nascimento de seu irmão, Marc-Marie, que mais tarde entrará para a ordem dos beneditinos como o nome de Marc-François. - 1919: Matricula-se na faculdade de medicina. Paralelamente estuda literatura e filosofia, aproximando-se dos surrealistas. - 1928: Trabalha como interno da Enfermaria Especial para alienados da Chefatura de Polícia, dirigida por Gaëtan Gatian Clérambault, que mais tarde reconhecerá como seu único mestre na psiquiatria. - 1931: Após examinar Marguerite Pantaine, que havia tentado assassinar a atriz Huguette Duflos, escreve sobre o episódio (conhecido como "Caso Aimée") uma monografia que está na gênese de sua tese de doutorado. - 1932: Inicia sua análise com Rudolf Loewenstein. Defende a sua tese de doutorado, Da psicose paranoica em suas relações com a personalidade. - 1934: Casa-se com Marie-Louise Blondin, com quem terá três filhos. Caroline (1937), Thibault (1939) e Sybille (1940). - 1936: Sua comunicação sobre o estádio do espelho, durante congresso da Associação Internacional de Psicanálise (IPA) em Marienbad, é interrompida no meio por Ernest Jones, discípulo e biógrafo de Freud. - 1938: Inicia relações com Sylvia Bataille, ex-mulher do escritor e filósofo Georges Bataille. Torna-se membro da Sociedade Psicanalítica de Paris (SPP). - 1941: Separa-se de Marie-Louise. Nasce Judith Sophie, filha de Lacan com Sylvia. 1951: Sua técnica de sessões curtas gera controvérsias na SPP. Dá início aos Seminários, uma série de apresentações orais que constituirão o núcleo de seu trabalho teórico. - 1953: Em meio à crise na SPP, faz conferências fundamentais como "O mito individual do neurótico" (em que utiliza pela primeira vez a expressão Nome do Pai), "O real, o simbólico e o imaginário" (que coloca suas teorias sob o signo do "retorno a Freud") e "Função e campo da palavra e da linguagem em psicanálise" (pronunciada em Roma). Deixa a SPP junto com Daniel Lagache, Françoise Dolto e outros 40 analistas. Funda a Sociedade Francesa de Psicanálise (SFP). Realiza o seminário Os escritos técnicos de Freud, primeiro a ser registrado por estenotipista, possibilitando posterior publicação. - 1963: A IPA admite a filiação da SFP. - 1964: Lacan funda a Escola Freudiana de Paris (EFP) com antigos alunos como Françoise Dolto, Maud e Octave Mannoni, Serge Leclaire, Moustapha Safouan e François Perrier. - 1966: Publicação de Escritos e criação da coleção Campo Freudiano, dirigida por Lacan. - 1967: Propõe a criação do "passe", dispositivo regulador da formação do analista. - 1968: Lançamento da revista Scilicet, do Campo Freudiano. - 1973: Publicação da transcrição do Seminário XI, Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise, realizado em 1964. A partir daí, os seminários passam a ser editados segundo esse procedimento. Caroline morre num acidente de automóvel. 1975: Lançamento de Ornicar?, boletim do Campo Freudiano. - 1980: Anuncia a dissolução da EFP e funda em outubro a Escola da Causa Freudiana. - 1981: Morre em Paris no dia 09 de Setembro. Pensamento: Sua primeira intervenção na Psicanálise é para situar o Eu como instância de desconhecimento, de ilusão, de alienação, sede do narcisismo. É o momento do Estádio do Espelho. O Eu é situado no registro do Imaginário, juntamente com fenômenos como amor, ódio, agressividade. É o lugar das identificações e das relações duais. Distingue-se do Sujeito do Inconsciente, instância simbólica. Lacan reafirma, então, a divisão do sujeito, pois o Inconsciente seria autônomo com relação ao Eu. E é no registro do Inconsciente que deveríamos situar a ação da Psicanálise. Esse registro é o do Simbólico, é o campo da linguagem, do significante. Lévi-Strauss afirmava que "os símbolos são mais reais que aquilo que simbolizam, o significante precede e determina o significado”, no que é seguido por Lacan. Marca-se aqui a autonomia da função simbólica. Este é o Grande Outro que antecede o sujeito, que só se constitui através deste - "o inconsciente é o discurso do Outro", "o desejo é o desejo do Outro". O campo de ação da psicanálise situa-se então na fala, onde o inconsciente se manifesta, através de atos falhos, esquecimentos, chistes e do relato dos sonhos, enfim, naqueles fenômenos que Lacan nomeia como "formações do inconsciente". A isto se refere o aforismo lacaniano "o inconsciente é estruturado como uma linguagem". O Simbólico é o registro em que se marca a ligação do Desejo com a Lei e a Falta, através do Complexo de Castração, operador do Complexo de Édipo. Para Lacan, "a lei e o desejo recalcado são uma só e a mesma coisa". Lacan pensa a lei a partir de Lévi-Strauss, ou seja, da interdição do incesto que possibilita a circulação do maior dos bens simbólicos, as mulheres. O desejo é uma falta-a-ser metaforizada na interdição edipiana, a falta possibilitando a deriva do desejo, desejo enquanto metonímia. Lacan articula neste processo dois grandes conceitos, o Nome-do-Pai e o Falo. Para operar com este campo, cria seus Matemas. É na década de 1970 que Lacan dará cada vez mais prioridade ao registro do Real. Em sua tópica de três registros, Real, Simbólico e Imaginário, RSI, ao Real cabe aquilo que resiste a simbolização, "o real é o impossível", "não cessa de não se inscrever". Seu pensamento sobre o Real deriva primeiramente de três fontes: a ciência do real, de Meyerson, da Heterologia, de Bataille, e do conceito de realidade psíquica, de Freud. O Real toca naquilo que no sujeito é o "improdutivo", resto inassimilável, sua "parte maldita", o gozo, já que é "aquilo que não serve para nada". Na tentativa de fazer a psicanálise operar com este registro, Lacan envereda pela Topologia, pelo Nó Borromeano, revalorizando a escrita, constrói uma Lógica da Sexualização ("não há relação sexual", "A Mulher não existe"). Se grande parte de sua obra foi marcada pelo signo de um retorno a Freud, Lacan considera o Real, junto com o Objeto a ("objeto ausente"), suas criações.