EPP - Escola de Profissionais da Psicanálise

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As tarefas do amor - da paixão à maturidade

admin Artigos 01 fevereiro 2024
Por Alê Esclapes -  Etimologia da palavra “amor”: A palavra “amor” possui como referência comum a palavra latina “amore”, o que do ponto de vista da investigação, não ajuda muito. Acompanhando Zimerman (2010) será utilizado nesse trabalho a etimologia de amor como sendo “a” (contra) e “mors” (morte), ou seja, aquilo que se opõe a morte. Essa etimologia coloca algumas reflexões importantes, como por exemplo, o que seria a morte, morte de quem e do que, e como seria essa manifestação do “a-mors”, como seria a concretude do exercício dessa tarefa chamada “amar”. Outro desenvolvimento seria observar que para cada entendimento sobre o que seria a vida, o viver, teríamos o seu avesso, a morte - vida/morte em um par inseparável, assim como o conceito de amor não está separado do conceito de morte. Outro desenvolvimento ainda seria analisar a morte no indivíduo e no coletivo. Vida/morte na psicanálise: É interessante observar que para cada grande autor da psicanálise, em função do seu entendimento da realidade psíquica, poderia se entender um par vida/morte. Freud talvez foi um dos autores que mais reformulou suas teorias a respeito desse par. Desde de seu entendimento da sexualidade como a raiz da neurose, suas teorias sobre o amor se versaram através da sexualidade humana. Sua última formulação foi o par Eros/Thanatos, também chamadas pulsões de vida e de morte. Observa-se aqui o uso da palavra Eros e não outras disponíveis na língua grega, como por exemplo, Ágape. Freud sempre foi incisivo sobre a questão do prazer como “o” mediador das relações humanas. Melanie Klein já na sua maturidade como teórica e analista postula o par inveja/gratidão como o grande representante do par vida/morte. Outra forma de entender a inveja seria entendê-la como o horror a dependência que temos do outro, sendo a gratidão ao outro o seu antidoto. Donald Winnicott nos propõe a devoção materna como o protótipo do amor, pois esse seria o responsável pelo desenvolvimento sadio do seu bebê. Vários são os elementos aqui envolvidos, como a capacidade da mãe de se comunicar silenciosamente com bebê, ou seja, sua capacidade de empatia, de se presentificar quando seu bebê está em condições de cria-la, de suportar (“holding”) e prover um ambiente facilitador do desenvolvimento das potencialidades criativas de seu filho(a). Bion nos chama atenção para a verdade que nos cerca – Édipo não teria feridos seus olhos como uma “castração” como sugere Freud, mas porque a verdade lhe era insuportável. A verdade é entendida aqui como simplesmente “aquilo que se é” e não “aquilo que se deveria ser”, ou um representante de uma “verdade última”. A verdade é aquilo que se é a cada instante. Este “sendo” a cada instante possui diversas consequências, mas o que interessa aqui é que não se é “em si”, mas pelo outro. Uma das tarefas ontológicas do ser humano é o “ser no outro”, e a morte seria a não concretização dessa tarefa. A verdade é para Bion a condição sine qua non dessa travessia. Podem-se reunir aqui alguns elementos dessa tarefa que é o amor para a psicanálise a partir desses autores: prazer, gratidão, devoção e verdade. Talvez esses elementos estejam presentes no percurso entre a paixão e a maturidade de uma relação, e que a quantidade desses ingredientes variam em com o tempo.

O fenômeno esquizoide

admin Artigos 31 janeiro 2024
Por Sérgio Rossoni - Em clínica psiquiátrica, o conceito de psicose é tomado a maioria das vezes numa extensão extremamente ampla, de maneira a abranger toda uma gama de doenças mentais, quer sejam manifestamente organogenéticas, quer sua etiologia permaneça problemática. Na psicanálise, o interesse incidiu, em primeiro lugar, nas afecções mais diretamente acessíveis à investigação analítica, e dentro deste campo mais restrito que o da psiquiatria, as principais distinções são as que se estabelecem entre as perversões, as neuroses e as psicoses. Neste último grupo, a psicanálise procurou definir diversas estruturas: paranoia e esquizofrenia, por um lado, e por outro a melancolia e a mania. Fundamentalmente, é uma perturbação primária da relação libidinal com a realidade que a teoria psicanalítica vê o denominador comum nas psicoses, onde a maioria dos sintomas manifestos são tentativas secundárias de restauração do laço objetal." (Laplanche e Pontalis – Dicionário de Psicanálise – Psicose – pg. 390). Para entendermos o psicótico, é importante relembrarmos sobre a posição esquizoparanóide de Melanie Klein, onde o ego utiliza a cisão como mecanismo de defesa para lidar com suas ansiedades, buscando dispersar seus impulsos destrutivos. “Na primeira infância, surgem ansiedades que obrigam ao ego criar mecanismos de defesa específicos. Neste período se encontram pontos de fixação de distúrbios psicóticos”. – (Inveja e Gratidão – Melanie Klein - pg. 20) O nascimento representa a saída da plenitude, do nirvana. O mundo real se apresenta de forma grosseira e cruel, despertando sensações como o frio, a fome, bem como necessidades como urinar, defecar, etc. É preciso chorar para obter o alimento, ou anunciar suas necessidades, apontar dores, cólicas entre outros. Na percepção da dependência do outro para sobreviver, nasce a frustração. Essa experiência é sentida como causada por objetos externos. Impulsos destrutivos são dirigidos para este objeto externo, passando posteriormente para ataques sádicos ao corpo da mãe, enquanto parte destes impulsos permanece ligada à libido no interior do organismo. Para Klein, as relações de objeto existem desde o inicio da vida, sendo o primeiro objeto o seio da mãe.A primeira relação com o objeto implica em projeção e introjeção. As relações de objeto são moldadas pela interação entre os mecanismos de projeção e introjeção desde o inicio, bem como entre objetos e situações internas e externas. Esses processos participam na construção do ego, e do superego e preparam o terreno para o surgimento do complexo de Édipo na metade do primeiro ano de vida. (Inveja e Gratidão – Melanie Klein - pág. 21) No entanto, da mesma forma que tais impulsos são projetados nestes objetos, imediatamente são introjetados novamente. Logo, estes objetos sentidos como mau (seio mau), passam a existir também no mundo interno. Tais ataques a estes objetos faz surgir o medo de uma retaliação ou um contra ataque por parte destes, que passam a ser sentidos como persecutórios. “A necessidade vital de lidar com a ansiedade força o ego arcaico a desenvolver mecanismos de defesas. O impulso destrutivo é parcialmente projetado para fora, e prende-se ao primeiro objeto externo, o seio da mãe. Outra porção deste impulso permanece ligado a libido no interior do organismo". Porem, nenhum desses processos resolve o problema da perseguição e de ser destruído. Logo, sob a pressão dessa ameaça o ego tenta se despedaçar “. (Inveja e Gratidão – Melanie Klein - pág. 24) O ego então faz uma cisão buscando como resultado a dispersão do impulso destrutivo. Na cisão, este mundo interno ainda confuso, repleto de objeto introjetados é de certa forma organizado. De um lado, objetos maus, de outro objetos bons. O bebê então percebe o seio como bom (aquele que recebe amor e lhe protege), e seio mau (aquele que o persegue e é receptor de seus ataques sádicos). O mundo é divido entre bom e mau. “O impulso destrutivo projetado para fora é vivenciado como agressão oral. Impulsos sádico- orais dirigidos ao seio da mãe. Depois vem os impulsos canibalescos com o início da dentição. O bebê vai sugar e destruir o seio. Na sua fantasia, o seio mau é destruído, e o seio bom permanece inteiro. Esse seio bom interno é responsável pela construção do ego, e contrabalança os processos de cisão e dispersão. Winnicott descreveu este processo como a capacidade do bebê adaptar-se à realidade mediante a experiência obtida através do amor e carinho da mãe “. (Inveja e Gratidão – Melanie Klein –Processo de cisão em relação ao objeto- 1946- nota de rodapé 10 – pág. 25) “A ansiedade e a frustração pode ameaçar a sensação que o bebê tem de ter dentro de si um seio bom. Logo, o bebê pode sentir que seu objeto interno bom está também despedaçado, pois fica difícil manter a cisão entre objeto bom e mau. O ego não consegue cindir objeto interno e externo sem que ocorra uma cisão correspondente dentro dele. Quanto mais o sadismo prevalece no processo de incorporação do objeto mais este é sentido como estando em pedaços e mais o ego corre o risco de cindir-se aos fragmentos desse objeto internalizado.” ”. (Inveja e Gratidão – Melanie Klein –Processo de cisão em relação ao objeto- 1946) Assim, o processo de projeção e introjeção se torna um cíclico, presente em todo desenvolvimento do ser. Neste ponto, o meio ambiente terá sua parcela na introjeção de objetos bons ou maus, de acordo com a forma que este se apresentar. Um ambiente repleto de amor, atenção, carinho, etc., poderá ser sentido como objetos bons, aumentando o número de objetos bons internos. Do contrário, um ambiente violento, cheio de falhas materna, poderá ser sentido como objetos maus, igualmente aumentando o número destes objetos no interior do bebê. O processo de cisão vem para organizar o que antes estava misturado. Agora, sentimentos bons são dirigidos ao objeto bom, enquanto ataques destrutivos dirigidos para os objetos maus. Outros mecanismos de defesa são criados. Através do processo de idealização, o objeto bom é exageradamente sentido como um protetor poderoso contra os objetos maus. Não se trata de um simples objeto bom. Agora, este objeto é MUITO bom. Na negação, a existência de um objeto mau é negada. Todas as sensações de frustração e dor são negadas. A realidade psíquica é negada. Na onipotência, o ser sente-se capaz de negar a própria realidade psíquica. “A negação onipotente da existência do objeto mau e da situação de dor é, para o inconsciente, igual à aniquilação pelo impulso destrutivo”. “Uma parte do ego, da qual emanam os sentimentos pelo objeto, é negada e aniquilada também”. “Na gratificação alucinatória ocorrem dois processos inter-relacionados: a invocação onipotente do objeto e da situação de ideais e a onipotente aniquilação do objeto mau persecutório e da situação de dor; Esses processos se baseiam tanto na cisão do objeto como do ego”. (Inveja e Gratidão – Melanie Klein – A cisão em conexão com a projeção e a identificação -pág. 26) Como vimos anteriormente, os ataques antes dirigidos ao seio da mãe passam a ser dirigidos para o corpo da mãe, já que seu corpo é percebido como uma extensão do seio.Na sua fantasia, o bebê vai lançar para dentro do corpo da mãe excrementos nocivos e destrutivos, além de sugar o seio até exauri-lo. Partes excindidas do ego são projetadas para dentro da mãe. Estes excrementos terão como objetivo controlar e tomar possa do corpo desta. Uma vez contendo partes do self mau, a mãe agora é sentida como o próprio self mau. Passa a ser o self mau, sentido como objeto perseguidor. Melanie Klein chamou este processo de identificação projetiva. “Não são só as partes más do self a serem expelidas. Partes boas também. Logo, excrementos podem significar presentes, e as partes do ego projetadas para outra pessoa representam as partes boas, amorosas do self”.(Inveja e Gratidão – Melanie Klein – Identificação Projetiva -pág. 27) “A identificação projetiva da origem a medos de ser controlado pelo objeto; Uma vez na fantasia o bebê projetando parte de seu self para dentro do objeto com o objetivo de possuir e controlar, começa a ter medo da retaliação – ser controlado. Ser perseguido dentro de seu próprio corpo pelo objeto introjetado e reintrojetado violentamente. O objeto reintrojetado é sentido como contendo os aspectos perigosos do self”. (Inveja e Gratidão – Melanie Klein – Identificação Projetiva -pg 30) O medo de ser aprisionado e perseguido dentro do corpo da mãe (resultado da identificação projetiva) estão na base da paranóia. “As relações esquizoides são de natureza narcísica. Eu projeto meu ideal do ego em outra pessoa. Passo a amar e admirar essa pessoa porque na verdade estou amando eu mesmo. Essa outra pessoa passa a ter as partes boas do meu self”. (Inveja e Gratidão – Melanie Klein – Relações de objetos Esquizóides -pg 32) Controlar o outro, é controlar seu próprio self projetado no objeto. Quando este objeto é perdido, é sentido como se o próprio self tivesse sido perdido. Surge o sentimento de solidão e o medo de separar-se do objeto. “O medo da frustração da separação, desperta a agressividade. Uma vez controlando com agressividade as partes boas do self projetadas dentro do sujeito, o objeto interno é sentido como correndo o mesmo perigo de destruição que o objeto externo, resultando num enfraquecimento do ego. Solidão”. (Inveja e Gratidão – Melanie Klein – Relações de objetos Esquizoides -pág. 33) Ainda sobre a identificação projetiva, Hanna Segal a define como:(processo através do qual uma parte do ego é excindida e projetada para dentro de um objeto, com consequente perda desta parte para o ego, bem como alteração na percepção do objeto.) (Melanie Klein hoje; Vol. I; Depressão no Esquizofrênico; Hanna Segal). Através da identificação projetiva, o psicótico projeta suas ansiedades sentidas como algo insuportável.Herbert Rosenfeld escreve em seu artigo “Conflito com o superego num paciente esquizofrênico”, a importância em se interpretar as transferências positivas e negativas, salientando que o êxito na análise depende da compreensão do analista das manifestações psicóticas na situação transferencial. Rosenfeld ainda em seu artigo desenvolve a ideia de que o objeto bom internalizado aumenta a severidade do superego, e devido a exigências rigorosas, é sentido como um objeto persecutório. “Na análise de pacientes esquizofrênicos – Podemos muitas vezes observar apenas os objetos persecutórios funcionando como superego. Isso pode ser devido às exigências extremas dos objetos idealizados. (Melanie Klein hoje Vol. I – Herbert Rosenfeld – Conflito com o superego num paciente esquizofrênico)”. O psicótico toma muitas vezes tudo o que o analista diz como algo concreto. Se interpretarmos uma phantasia de castração, ele tomará a própria interpretação como uma castração. Trata muitas vezes a fantasia como realidade, e realidade como fantasia. Quando projetado suas ansiedades para dentro de um objeto externo, via identificação projetiva, tal objeto passa a ser percebido como persecutório. Entretanto, ocorrerá uma introjeção deste objeto, sentido como uma reentrada violenta. Muitas vezes, o psicótico tentará romper a ligação com o mundo externo, temendo esta reentrada. No entanto, a introjeção deste objeto implica na existência deste tanto interno quanto externo. O objeto persecutório passa a existir na fantasia e na realidade. “Todo paciente esquizo projeta seu superego e a si mesmo para dentro do analista; mas o analista interpreta esta situação e os problemas ligados a ela até que, gradativamente, o paciente seja capaz de aceitar tanto seu amor e seu ódio quanto o seu superego como coisas que lhe pertencem.” (Melanie Klein hoje Vol. I – Herbert Rosenfeld – Conflito com o superego num paciente esquizofrênico) Freud aponta a psicose como o ego a serviço do id, que se retira em parte da realidade. Sobre este tópico, Bion escreve: “O ego não fica completamente fora da realidade. Seu contato com a realidade é mascarado pelo predomínio, na mente e no comportamento do paciente, de uma fantasia onipotente cujo propósito é o de destruir não só a realidade mas a percepção dela, e assim atingir um estado que não é vida nem morte”.(Melanie Klein hoje Vol. I – Herbert Rosenfeld – Diferenciação entre a personalidade psicótica e a não psicótica) Segundo Bion, pacientes psicóticos possuem uma parte não psicótica da personalidade, que fica assim obscurecida por sua parte psicótica. O afastamento da realidade é uma ilusão decorrente do uso da identificação projetiva contra o principio da realidade. Porém, esta fantasia torna-se um fato para o psicótico. A realidade odiada é fragmentada e projetada para fora. Estes objetos expelidos são sentidos como se tivesse vida própria, estando então o psicótico cercado por objetos bizarros. A cisão e a identificação projetiva visa o afastamento da própria realidade. As palavras são tomadas como coisas reais, pois o psicótico não simboliza. Hanna Segal escreve em seu artigo “Depressão no esquizofrênico – Melanie Klein hoje vol.1” sobre o processo pelo qual o esquizofrênico alcança a posição depressiva, vivenciando as ansiedades despertas durante este processo. No entanto, os sentimentos de culpa, sofrimento, são sentidos como intoleráveis. Assim, tais ansiedades depressivas serão projetadas para fora, ou seja, grande parte do seu ego será projetada para dentro de outro objeto através da identificação projetiva. Assim, o avanço para a posição depressiva no paciente esquizofrênico é sentido como uma ameaça. É preciso retomar o percurso contrário da sanidade, pois esta é acompanhada por sentimentos insuportáveis. É comum o paciente psicótico projetar a parte deprimida do ego para dentro do analista, provocando sentimentos depressivos no analista. A parte sadia do ego é perdida, e neste caso, o analista torna-se objeto persecutório. Hanna Segal aponta para a importância de colocar o paciente esquizofrênico em contato com seus sentimentos depressivos, e com o desejo de reparação que dele originam. É de suma importância que o analista descubra onde e em quais circunstâncias a parte depressiva do ego foi projetada, interpretando para seu paciente. A identificação projetiva por um lado, constitui uma reação terapêutica negativa (RTN), cabendo ao analista acompanhar cuidadosamente durante a transferência, a emergência da posição depressiva e sua projeção, permitindo assim ao paciente fortalecer a parte sadia da personalidade. Por outro lado, a identificação projetiva é uma defesa contra a depressão.

Daniel Paul Schreber

admin Artigos 30 janeiro 2024
Por Andrea Senna -  Daniel Paul Schreber, 42 anos, casado há seis anos. Demonstrava uma carreira bem sucedida como jurista. Na Alemanha, Schreber desenvolve uma crise psicótica ao assumir um cargo que um juiz podia alcançar. É invadido por delírios e alucinações que lhe transmitiam a mensagem de que Deus iria manipular o seu corpo, transformando-o em mulher para dar origem a uma nova raça. Durante a internação psiquiátrica escreveu um livro sobre suas recordações sobre “a doença dos nervos”. Freud fez uma análise do caso Schreber, a partir da qual também funda sua teoria acerca da psicose.  1.1 Antecedentes da infância e influências de familiares: Na infância tinha que dormir com aparelhos de ferro e couro que seguravam seus pés, deixavam sua coluna reta e a cabeça era segura com uma espécie de capacete que se estendia até o queixo. O objetivo era permitir que o crescimento do crânio se desenvolvesse adequadamente. Era filho de um importante médico ortopedista, professor da Universidade de Leipzig. O pai de Schreber o obrigava a submeter a técnicas rígidas de educação postural e comportamental. Um acontecimento importante na vida de Schreber, foi quando tinha 16 anos, seu pai sofreu um acidente. Uma grande barra de ferro de um aparelho de ginástica criado por seu pai o atingiu na cabeça, deixando-o com sequelas cerebrais, o que após três anos ocasionou a sua morte. A morte de seu pai, ocasionou um contexto favorável para o seu irmão mais velho ocupar o lugar de uma referência masculina. Schreber seguiu o mesmo trajeto profissional de seu irmão, na carreira jurídica. Um acontecimento trágico foi quando o seu irmão comete suicídio. Outro fato relevante de sua vida e com relação a sua ligação com a sua mãe, ela parecia não ocupar um lugar de destaque na relação familiar. A mãe de Schreber era percebida como uma mulher deprimida, com dificuldades para se expressar afetivamente. 1.2 Os sintomas de Schreber: Primeira crise, durou em torno de um ano. Sofria de graves insônias e ideias hipocondríacas. Achava que seus órgãos internos se deterioravam, que o seu corpo emagrecia assustadoramente. Tinha sentimentos de abandono com relação a sua esposa, acreditava que ela desapareceria. Teve o acompanhamento de um renomado médico psiquiatra, Paul Emil Flechsig, que conseguiu restabelecer a  sua saúde mental. A segunda crise de Schreber foi quando passou a ter pensamentos de que seria bom ser mulher, viver a experiência do ato da cópula. Passou com frequência ter crises de insônia e seus antigos pensamentos hipocondríacos. E a terceira manifestação da doença de Schreber, vozes e delírios retomaram com força. A lembrança da morte de seu pai, fez com que o levasse a ter tentativas de suicídio, por várias vezes tentou se afogar na banheira do hospital que se encontrava internado. 1.3 A transferência de Schreber com o psiquiatra, Flechsig: Seus delírios passaram a se fazer presente, delírios de perseguição. Acreditava que estava sendo perseguido, para que sua alma fosse destruída. A presença de pensamentos de seu corpo iria ser transformado em um corpo feminino era recorrente, e esse corpo feminino seria maltratado, abusado pelo seu médico. Surge medos constantes de seu médico. Os delírios de Schreber foram estudados por Freud, e ele percebeu conexões com a ausência de filhos, a frustração por não ter sido pai e a sua fantasia sexual, pode ter desencadeado o processo de transferência com seu médico. Em vários anos do caso clínico, pode-se perceber uma transferência muito forte para o doutor Flechsig, que chega a ocupar um lugar central no delírio de Schreber. 1.4 O avanço da pesquisa psicanalítica: Os delírios de Schreber são entendidos como expressões de desejos, assim como os sonhos. Freud começa a pesquisar sobre a psicose e, mais especificamente, sobre a paranoia. Passa a considerar que os delírios não devem ser entendidos sem sentido, mas como um mecanismo de defesa. Sabe-se que após anos de sofrimento, Schreber acabou se convencendo que seria transformado em mulher, o que lhe causou maior quietude mental. A presença dos delírios de que seria copulado por Deus e seu médico era cúmplice se apresentavam constantemente. Os delírios permaneceram, mas Schreber dizia que não o incomodavam tanto. O caso clínico foi de grande relevância para o avanço dos estudos de Freud, pois passa a considerar o delírio como uma produção psíquica a ser escutada. Surge a compreensão da possibilidade de transferência em casos de psicose. 1.5 Considerações finais - Caso clínico: A grande hipótese que se estabelece frente o caso clínico, Shreber, é que na paranoia pode-se dizer que se refere a uma doença de poder, ideias de superioridade. A ausência de uma figura paterna forte pode desenvolver uma necessidade demasiada da presença de uma referência de ordem, que predominantemente simbolize a lei. Diante disso, o caso Schreber, nos remete a uma regressão ao narcisismo primário. Podemos notar que Schreber rejeita novas percepções do mundo externo e cria um mundo interno para atender os seus desejos inconscientes. Os delírios de Schreber em relação a Deus, sinaliza para Freud que era preciso persistir na crença de que era  possível se vislumbrar  a possibilidade de interpretação em sua “loucura”.

Complexo de Édipo - ontem e hoje

admin Artigos 29 janeiro 2024
Por Mário de Almeida -  O termo “Complexo de Édipo” deriva de uma tragédia grega escrita por Sófocles, na qual o herói, Édipo, sem saber de sua condição de filho, mata o pai e se casa com a mãe. A criança, por volta dos três anos, na fase fálica, começa a sofrer profundas transformações. Começa a perceber as diferenças, anatômica entre os sexos e  a demonstrar interesse pelo conhecimento corporal. Começa a localizar o prazer em seus órgãos genitais e a manipula-los. É quando a  criança sente a necessidade de buscar o prazer em um elemento do sexo oposto. Com a descoberta  do órgão genital dá-se inicio ao Complexo de Édipo. O filho desenvolve um desejo incestuoso inconsciente para com a mãe e um sentimento de intensa rivalidade e hostilidade para com o pai, da mesma forma que a filha desenvolve apego para com o pai e rivalidade para com a mãe. Tudo isso ocorre no mundo da fantasia. Com a percepção das diferenças sexuais entre os meninos e as meninas  os meninos, que inicialmente pensavam que as meninas teriam um pênis pequeno que iria crescer, logo passam a entender que a menina definitivamente não tem pênis. E isso traz em um primeiro momento um sentimento de superioridade, que no futuro irá gerar um enorme mal-estar. Uma angustia, então começa a ser vivida inconscientemente. A angústia de castração instala-se porque o menino ao pensar que a menina um dia possuiu um pênis e o perdeu, sofre ao fantasiar que poderá acontecer o mesmo com ele. Todas as "broncas" recebidas (interdições) em função da excitação peniana são revividas angustiosamente, pela possibilidade de vir a perder o seu pênis. Para o menino em um segundo momento, no plano imaginário, a intervenção do pai  impedindo a concretização de seu desejo, irá possibilitar que ela "entenda" que é o pai, e não ele o objeto de desejo da mãe. É quando resolve-se, para o menino a questão edipiana. Entende que não pode dar a mãe o que ela deseja, porque ela já tem o do pai que é muito maior e mais potente que o dele. É a saída do Édipo, onde ocorre a identificação com o pai e ele vai procurar uma substituta: a Outra, sua esposa.  Isso se a criança tiver uma mãe que se interessa por outras coisas além dele. Uma mãe que permita a entrada do pai ou de outros substitutos. Este período é muito importante, pois é a partir da angústia de castração que o menino aceita a lei da proibição imposta pelo pai para salvar o próprio pênis. Precisa renunciar o amor excessivo que tem pela mãe. Temendo a ameaça de castração pelo pai, que tem um pênis maior e mais poderoso, abandona a mãe, deixando para o pai, na esperança que quando crescer arrumará uma substituta.  Quando o menino pela angústia de castração renuncia ao amor pela mãe o complexo de Édipo é desfeito. A menina não teme a castração pois sente-se já castrada por não ter pênis e também sente que nunca irá crescer um pênis. Então elabora do ponto de vista do complexo que vai querer um e o mais disponível é o do pai. Este é o inicio do Édipo para as meninas. Embora sinta ameaça da mãe sua rival, não a teme, pois não tem medo da castração ao sentir-se definitivamente sem pênis. Odeia a mãe e a culpa por tê-la feito menina e sem pênis, posto estar em plena vivência da inveja do pênis. Volta-se, então para o pai e na tentativa de ter um pênis e, vive por ele o amor edipiano. Quando o pai faz a recusa, a faz entender que nunca vai ter esse pênis ela sairá do CE  ao buscar em outro o substituto, via de regra um marido. Sem a recusa do pai ela não sairá dessa fase. Ao entender claramente que vive um desejo infinito de possuir um pênis e que nunca irá consegui o do pai, ela será então, capaz de substituir seu interesse pelo órgão pelo amor de um homem portador de um. Esse problemática da menina que sente-se abandonada pelo pai e que vai ter que desistir dele, vai ter que abandona-lo é a base do Núcleo do Reprimido da menina. Para Freud neste momento edipiano o incesto está acontecendo, pois lá no inconsciente não existe nada que faça com que isso seja censurado. Então, sempre que essas ideias que foram reprimidas e que não consideradas coisas boas aparece são brutalmente reprimidas. O Núcleo do reprimido da menina que é incesto e abandono, pois ela sente-se abandonada pelo pai, ao sofrer a recusa e vai ter que abandona-lo para se resolver, enquanto  que para o menino seria incesto e castração, pois se a ameaça de perder o pênis é terrível a ideia do incesto é intolerável. O complexo edipiano masculino é resolvido pelo medo que o menino tem da castração e pela identificação gradual com o pai, enquanto o complexo edipiano feminino é resolvido pela ameaça de ser abandonada pela mãe e pela identificação com ela.

A lei dos costumes

admin Artigos 28 janeiro 2024
Por Ale Esclapes -  Em menos de dois meses duas leis que regulam as relações entre pais e filhos foram aprovadas – uma que proíbe as palmadas e outra que proíbe que os pais denigram um ao outro para seus filhos. Duas coisas me chamam a atenção nesse fenômeno – como especialistas são chamados para normatizar a vida cotidiana e como o Estado está adentrando em nossos lares. Logo quando a lei contra a palmada foi aprovada houve uma avalanche de programas com “especialistas” fundamentando a proibição. Em um dos programas Happy Hour a apresentadora Astrid se utilizou várias vezes da palavra trauma, sempre perguntando – “Você se lembra de ter lavado palmadas?” – se o entrevistado dissesse sim, pronto – “Viu? Ficou traumatizado!” Ainda bem que nossa memória não é feita apenas de traumas. Existe trauma? Claro que sim! Toda palmada traumatiza? Não sei ... Mas afinal Alexandre, você é a favor da palmada? Não. E nessa ocasião não faltou especialista. Eu pessoalmente acho que esse tipo de ser emburrece os demais. Hoje a classe média adora se consultar com um especialista com medo de errar em relação a educação de seus filhos. Será que não é porque somos de uma geração que cresceu sem limites e agora não sabemos o que fazer com nossos filhos? Será que somos de uma geração que foi do “contra” tudo que vinha do passado (com agravante da ditadura militar), mas não temos a menor ideia do que é ser “a favor”? Outro dia vi uma cena que fiquei indignado – uma mãe oferecendo uma banana e uma maçã para uma criança de 3 anos e pedindo que ela “escolhesse” entre as duas. A criança olhou uma fruta, depois a outra, mais um pouco, e se colocou a chorar! A mãe me disse – ela precisa aprender a escolher por si só (deixar uma criança de 3 anos escolher pode ser altamente ansiógeno e traumatizante – dizem os especialistas). No final das contas se utilizam especialistas ali onde para poder ensinar algo a gente precisa aprender primeiro. E o Estado tentando normatizar nossas vidas? Morro de medo de uma ditadura do cotidiano baseado na opinião de especialistas chamados para dar conta de nossa imaturidade.

Se todo mundo fizer...

admin Artigos 27 janeiro 2024
Por Ale Esclapes -  ... vai fazer uma grande diferença. Esse é um “slogan” muito recorrente na atualidade. De comercial de televisão a sermão de padres, é um argumento tido hoje como muito convincente. Mas qual seria o apelo psíquico desse tipo de argumento? Primeiro que uma andorinha faz verão. Esse tipo de argumento infla o ego de quem ouve, elevando-o a ter uma importância em termos de mudança social que não têm. Mas é um apelo narcisista muito eficaz, ainda mais que os pimpolhos da última geração cresceram acreditando que tem uma importância somente justificada dentro de seus lares. Então o apelo nesse vértice parece ser muito útil contra a depressão pós-moderna. Pena que dura pouco, pois uma andorinha NÃO faz verão. Outro argumento é que um punhado de pessoas faz alguma diferença em termos de organização social. O que se denomina hoje em dia de ONG, salvo raras exceções, me parece um lado um delírio “inconsciente a céu aberto” (tautológico), e de outro, uma bela forma de distribuição de renda. Iniciativas nesse sentido sempre existiram, mas nunca mudaram o mundo. Voltando a boa e velha psicanálise, as únicas organizações sociais que realmente fizeram alguma diferença foram o Estado, a igreja e o exército (Psicologia de massas e análise do ego). Fora dessa esfera, podemos ter marola, mas jamais uma onda. Talvez poderíamos levar em consideração o efeito que a tecnologia nos últimos 200 anos, mas isso é para outro artigo. Portanto, se quiser realmente fazer alguma diferença, vote bem, participe da política, cobre os políticos – sem achar que o Estado é o grande pai que vai resolver tudo. Sem participação ativa na política mesmo, em todos os seus níveis, em termos de mudança social, nenhuma iniciativa pessoal vai fazer muita diferença.

A criação de símbolos na neurose obsessiva

admin Artigos 26 janeiro 2024
Por Sérgio Rossoni -  Podemos entender por aparelho psíquico a expressão que ressalta certas características que a teoria freudiana atribui ao psiquismo: a sua capacidade de transmitir e de transformar uma energia determinada e a sua diferenciação em sistemas ou instâncias. (Laplanche e Pontalis – Dicionário de Psicanálise – pág. 29). Em última análise, a função do aparelho psíquico é manter ao nível mais baixo possível a energia interna de um organismo. (Laplanche e Pontalis – Dicionário de Psicanálise – pág. 30). Para W.R. Bion, um dos mais importantes psicanalistas, o aparelho psíquico se resume da seguinte forma: soma (conjunto das partes que constitui um todo) psique, e o vínculo que os liga. Parte da análise Bioniana será baseada na forma como meu corpo se liga à minha mente e vice-versa.  Um vínculo se forma ligando ambas as partes. Exemplo: A criança sente fome; A mãe lhe dá o seio; A imagem deste seio é a psique. É formado então um primeiro vinculo, ou como Freud nomeou, Representações de coisas. (consiste num investimento, se não de imagens mnésicas diretas da coisa, pelo menos nos traços mnésicos mais afastados, derivados dela- Laplanche e Pontalis – Dicionário de Psicanálise – pág. 450). Assim, um vinculo é criado entre a necessidade de comer com a imagem do seio. Os vínculos que vão se criando formam a base da psique (aparelho psíquico como um todo). É importante entendermos o conceito de vínculo para Bion: designa uma experiência emocional na qual duas pessoas, ou duas partes de uma mesma pessoa estão relacionadas uma com a outra. Bion considera que três emoções básicas são fatores sempre presentes em qualquer vínculo: as de amor (L), as de ódio (H) e conhecimento (K). (David Zimermam – Bion da teoria à prática – pág. 102). Para Bion, o vinculo entre mãe e bebê não pode ser descrito somente em termos de amor e ódio. É necessário ter um terceiro tipo de vinculo que é o desejo da mãe em compreender o seu bebê (K). Entre as sensações corpóreas também vão se criando vínculos. Citando o mesmo exemplo anterior da criança sentir fome, cria-se um vínculo entre comer e defecar. Desta forma, cria-se uma espécie de rede formada por diversos vínculos que vão se desdobrando, conectados através da experiência vivida. Exemplo: o sentir fome faz com que o indivíduo busque o alimento, que uma vez ingerido e saciado seu desejo e necessidade vai fazer mais tarde, com que sinta necessidade de defecar, etc. Sem a experiência, é impossível realizar as conexões, e é graças à psique que entendemos essas experiências corpóreas. Enquanto o soma entende ponto a ponto (comer – defecar), a psique junta estes pontos permitindo uma compreensão entre estes pontos. Assim, o que liga seio à fome é a função vincular. Num primeiro estágio, cria a representação de coisas (seio, comida, etc), passando para um segundo estágio onde estas representações de coisas são juntadas (seio sacia a fome). Para D.W. Winnicott, ao nascer o self é desintegrado. Aos poucos, os objetos vão se integrando, e por detrás de cada objeto, segundo Bion, existe um vínculo. No esquizofrênico, a capacidade vincular é extremamente prejudicada. Podemos entender por Phantasia, o conjunto de representações de coisas (conjunto de conexões), que vão criando vínculos na medida em que vão se combinando (seio – fome). Porém, os vínculos se formam a partir da experiência proporcionada pela mãe (holding), e acabam formando a psique. A forma como estes vínculos vão se juntando é o que Melanie Klein denominou de posição. O desejo de voltar para o estado uterino, faz com que primeiramente o organismo tente jogar seus objetos para fora. Nascer é ruim; Sentir fome, sede, necessidade de defecar, etc, estão longe da plenitude antes vivida no útero. É preciso lança-los para fora buscando o retorno à plenitude. Através da projeção o bebê os lança em direção ao mundo externo (em algo ou alguém), tentando controlá-los através de mecanismos de defesa como a onipotência. Porém, o meio ambiente faz com que estes objetos retornem (introjeção), criando assim um ciclo de projeção e introjeção. É preciso então separar objetos maus e bons para se obter uma certa ordem interna. Onipotentemente, o bebê realiza esta separação, ou seja, faz uma cisão. Agora, o mundo e seus objetos são bons ou maus. Melanie Klein definiu este período do desenvolvimento de posição esquizoparanóide. Os objetos maus serão lançados novamente para fora, e através da identificação, o bebê vai incorporar os objetos bons, tornando-se o próprio objeto bom. Lembrando que objetos bons e maus são projetados e introjetados, sendo a experiência no mundo real, o holding materno, o amor, etc, fatores fundamentais para que este mundo interno seja constituído mais de objetos bons do que maus. Num segundo estádio, com seu self mais integrado, o bebê agora percebe o objeto como único. A figura da mãe é percebida como única. Os objetos são únicos. Logo, entende que o objeto mau é o mesmo objeto bom. Surge então a culpa por ter em sua phantasia atacado e destruído aquele objeto anterior mau, que pode agora ser entendido também como objeto bom. Melanie Klein nomeou este estágio de posição depressiva. A dor da perda, a culpa, a gratidão, levam então o ser para um novo estádio, onde o bebê começa a assumir sua parcela de responsabilidade diante dos fatos bons e ruins. Podemos agora exemplificar a psique como uma espécie de moeda que contêm a soma de todos os objetos bons e maus. Posição depressiva pode ser entendido como o vinculo que se forma entre a psique, e todos os outros objetos. Quando tudo é juntado em uma mesma “moeda”, é criado um símbolo. Os símbolos permitem que um todo seja reconhecido nas partes fragmentadas e dispersas, e que, a partir de um todo, se venham a descobrir as partes. O símbolo é a unidade perdida e refeita, porém esse reencontro unificador não deve se dar nos moldes originais, mas sim no reencontro de um mesmo com um diferente, visto que, na situação psicanalítica, simbolizar consiste em captar o sentido em um outro nível, a partir de um outro vértice. (David Zimermam – Bion da teoria a pratica – cap. 13 – pág. 159) A capacidade de suportar perdas esta associada à posição depressiva, ou seja, é essencial que a criança para suportar perdas e frustrações, tenha feito a passagem da posição esquizoparanóide para a posição depressiva. A capacidade de criar símbolos depende da capacidade do ego de suportar perdas e substituí-las por símbolos. (David Zimermam – Bion da teoria a pratica – cap. 13 – pág. 159) Bion, ao estudar os processos criativos inerentes aos do conhecimento, vem discordar de que estes tenham um movimento único, progressivo da posição esquizoparanóide para a depressiva. O processo criativo consiste em um movimento alternativo, alterando-se de um lado a outro por entre as posições de Klein. Todos nós possuímos um núcleo neurótico e psicótico. Estaremos eternamente flutuando entre as duas posições Kleinianas, nos sentindo em um momento, perseguidos por um objeto mau, vitimas de ataques, etc, passando em outro momento a nos sentirmos culpados por desfazer ataques, gratos pelo amor recebido, etc. Assim, o ser revive o ciclo das posições – jogar fora objetos maus, ficando com os bons (posição esquizoparanóide), passando para a posição depressiva; Após a posição depressiva, surge o que Winnicott denominou de objeto transicional (algo entre a phantasia e a realidade).Objeto Transicional- Surge para o bebe uma bola de lã, um boneco, um cobertor, uma melodia, etc – algum objeto que diminua sua ansiedade, principalmente sua ansiedade depressiva. Algo que simbolize a mãe “boa”; Algo que nunca “falte”. (D.W. Winnicott – O brincar e a realidade) Por realidade compartilhada, entende-se a capacidade de ambos entenderem o valor do objeto, sendo o objeto transicional aquele que chega na realidade compartilhada, resultando na comunicação entre as pessoas. Por empatia, entendemos a capacidade de perceber a identificação projetiva que o outro está fazendo das representações de coisas. Principio básico da contratransferência. Na análise, deve-se interpretar e informar ao analisando sobre suas transferências. Como resultado, espera-se que o analisando obtenha insights e elaborações, posicionando-se diante de velhas situações e angustias, sob uma nova óptica. Aquilo que interpretamos, nada mais é do que o desejo da realização de uma phantasia, e o processo de elaboração pressupõem a perda desta phantasia. Vivemos em torno de um grande dilema – o desejo da realização de nossas phantasias, versus a realidade. Nossa mente (forma racional de trabalho do aparelho psíquico),também chamada pela filosofia de razão, pode ser utilizada estrategicamente para resolver este dilema. A mente pode ser usada para buscar a verdade, bem como para encobri-la, buscando na mentira um falso caminho para a realização dos desejos phantasiosos. Segundo Bion, a razão é utilizada na maioria das vezes para falsear ao invés de falar a verdade, aliada aos mecanismos de defesa diversos. A mente é utilizada para que o indivíduo se mantenha na phantasia, afastado da realidade dura. Logo, como analista, é necessário que eu descubra qual é a função da mente do analisando, ou seja, como ela trabalhando a favor dos desejos do mesmo. Segundo Melanie Klein, o neurótico obsessivo se utiliza à razão precocemente a serviço de suas phantasias. Dentro da visão Kleiniana, toda problemática do ser gira em torno da pulsão de morte. Assim, a mente serve para controlar esta pulsão, servindo de solução para a pulsão de morte. No neurótico obsessivo, a mente trabalha de forma dissociada. Ego forte = ego que assegura plenamente o exercício das pulsões modificadas e controladas por ele, de um modo compatível com as exigências da realidade exterior. É forte o ego que pode, sem maior desordem, fazer frente às demandas atuais e normalmente previsíveis da realidade exterior. Os mecanismos neuróticos servem para apaziguar os impulsos destrutivos e violentos. Logo, a neurose é uma defesa contra tais impulsos psicóticos. Utilizando mecanismos neuróticos, o ego tenta através da neurose solucionar o problema da angustia. Neurose Obsessiva é uma tentativa depressiva de dar conta das questões que angustiam. Como característica, os neuróticos obsessivos utilizam um critério racional para resolver a síntese entre o bom e mau. Cria um mito, e passando a crer na sua verdade daquilo que é bom e mau. Na neurose obsessiva, a razão é utilizada para dissociar, transformando uma determinada ansiedade, em algo suportável, idealizando, dissociando, etc. Afastar o mau é sua estratégia principal. A razão é utilizada para banir o mau. A neurose é uma relação masoquista por parte do ego – para manter-se em equilíbrio com o superego, rompendo suas relações libidinais, o ego se submete a uma serie de expiações. No final, todo o jogo de defesa e agressões acabam se voltando contra ele mesmo. As defesas também são lembretes em relação aos seus temores. Assim, todo tempo o ego é lembrado do objeto temido. Se por um lado o ritual espanta o mal, também vive lembrando que este existe. Logo, o ritual reforça o mal ao mesmo tempo em que o espanta. Na neurose obsessiva, a mente vai se unir a um superego muito forte, amplificando e reforçando seus critérios. Criando uma ilusão de óptica, não se pode distinguir a fonte destes critérios, não sendo possível precisar sua origem é proveniente do superego. Criação e criador se fundem. Critérios de uma cultura, civilização, família, já estão contidos no superego. A sociedade cria teorias para justificar seus critérios que são pré-existentes.

James Holmes

admin Artigos 25 janeiro 2024
Por Ale Esclapes -  Algumas pessoas me perguntam o que a psicanálise tem a dizer sobre James Holmes, o atirador que matou 12 pessoas em Denver, nos EUA. Frustrando um pouco os interlocutores, que gostariam de ouvir algo como “provavelmente algo aconteceu na relação entre ele e seus pais”, etc ... eu simplesmente digo – creio que precisamos de algo, alguma teoria que devolva ordem ao caos que esse tipo de evento cria em nós. Sem explicação, uma simples ida ao supermercado pode virar um tormento ou uma crise de pânico.  E nessa hora, corremos o risco de trocar um simples “não sei / não sabemos” por alguma teoria que faça o efeito de um ansiolítico. Analistas às vezes tem esse tipo de comportamento, humano demasiado humano, de andar com uma teoria embaixo do braço para fugir daquele lugar no real que simplesmente pode não ter sentido. Bion chamou esse sentimento de “arrogância”. Tudo que não podemos fazer por nós é sacar algum tipo de explicação que não explica nada, pois até agora nada foi explicado em relação a esses casos. Temos simplesmente “teorias”, em alguns casos alguns padrões. Não faltarão aqueles que vão apresentar a “morte da família”, ou a “sociedade em desordem”, ou um efeito colateral da “nova ordem simbólica” para explicar tais fatos. São os mesmos que desconhecem o holocausto dos armênios (só para citar um evento antecessor, mas longe de ser o único), e juram de pé junto que o holocausto começou com o povo judeu – ou fazem questão de não saber. Esse tipo de horror assola o humano desde que somos humanos. Tudo isso é humano, e tudo isso nos pertence. Talvez nos reste ver onde se encontra o “James Holmes” em nós mesmos, antes de sair procurando na parta ao lado. Se ele pode fazer isso, nós também podemos. E inevitavelmente pode-se perguntar – qual foi a última vez que você disse a quem ama – “eu te amo”?

Queem Rania

admin Artigos 24 janeiro 2024
Por Ale Esclapes -  Vi um documentário na GNT sobre algumas ações de mídia da Rainha da Jordânia, Vossa Majestade Rainha Rania, no qual através do Youtube V.Sa. Majestade criou uma série de vídeos para combater o preconceito em relação ao papel da mulher em seu país e sobre o mundo árabe junto ao ocidente. Uma ação moderna, que mostra ao ocidente uma Jordânia idem, com pessoas que afinal não são lá muito diferentes de nós. Mas o que me marcou foi ver uma apresentação de alguns jovens em um centro multimídia para a rainha. Eles cantaram rap! Um rapaz e uma moça, com véu islâmico e tudo, cantando rap – que maravilha! Não que esteja fazendo apologia do rap, ou de costumes ocidentais. O ponto aqui é como a internet e o que ela nos proporciona. Cada vez mais estamos nos globalizando, em todos os sentidos. Vou deixar de fora a globalização econômica, pois não a vejo como ponto principal do que ocorre, algo para além do dito “mercado”. Outro dia vi alguns documentários sobre Japão, e vi japoneses, de quimono, também cantando rap. É a globalização cultural que me chama atenção. Se por um lado nossas diferenças de lado, aquelas que podem nos fazer guerrear e matar outros seres humanos, por outro perdemos um pouco da identidade cultural. No programa Café Filosófico de domingo a psicóloga Rosely Sayão falava algo nesse sentido – como os pais têm receio de limitar a circulação de seus filhos se adotarem uma postura cultural mais ampla sobre eles. Judeus não devem parecer tão judeus assim, árabes nem tão árabes assim, etc ... Essa globalização cultural pode virar pasteurização se o essencial de cada cultura não for preservado, pois essa identidade cultural de valores é para onde o ser humano caminha na sua jornada. Retirar isso dele é retirar a sua possibilidade de lá na frente, logo depois dos 60, 70 anos, não ter aonde chegar. E no presente não deixar claro os limites da personalidade dos nossos jovens.

To be or not to be...

admin Artigos 23 janeiro 2024
Por Ale Esclapes -  Existe um perfil na clínica contemporânea envolvendo mulheres e homens com uma posição razoável nas empresas, entre trinta e quarenta e cinco anos, e que traz um profundo sofrimento. Para falarmos sobre esse perfil precisamos entender dois conceitos muito importantes na vida de uma pessoa: a) Existe uma parte da pessoa que simplesmente “é” – e esse “ser” é algo singular e individual, é um “ser” que nos diferencia de todos os outros seres do planeta. São nossas potencialidades, nossos dons, etc ... Esse “ser” é algo muito escondido, e muitas vezes nem nós mesmos sabemos quem “somos”. b) Existe uma outra parte que se relaciona com outras pessoas, com a sociedade, que tem que se relacionar com o chefe, a mãe, etc... Vamos chamar essa parte de “persona”. Esse nome é utilizado há muito tempo no teatro quase como um sinônimo de personagem.  Existe um sofrimento muito comum nos dias de hoje no qual a persona torna-se maior que o “ser”. Nessa hora a pessoa não se sente “sendo” alguém, mas REPRESENTANDO alguém. Isso acaba trazendo um sofrimento muito grande, e que se manifesta na forma de um vazio existencial, de culpa, etc... É muito comum hoje em dia a angústia trazida por pais que precisam trabalhar mais de doze horas por dia, fazer MBA, falar inglês, espanhol e mandarim (sic). A questão que esses pais trazem justamente é uma crise no “ser” pai, e não “representar” o papel de pai ou mãe. Isso porque primeiro não sobra tempo para “ser” pai, somente para, como numa peça de teatro que dura no máximo uma hora e meia, representar esse papel. Nessa hora aparece a culpa por não “ser” pai ou mãe, ao mesmo tempo em que não se deseja abandonar a “persona” profissional. Quando esses pacientes narram o seu dia, e falam com certo orgulho que trabalham 12 horas ou mais por dia, imediatamente pergunto PARA QUE trabalhar tanto. A resposta clássica é: pela minha família ou meus filhos. A questão aqui é esses pacientes não têm tempo para ficar com suas famílias, logo volta-se a pergunta: PARA QUE trabalhar tanto mesmo? Muitas vezes esse quadro envolve um luto que não se realiza, algo que ali esta mas que não permite que o “ser” possa se manifestar em toda a sua potencialidade: a “persona”. A pessoa sufoca o “ser” e muitas vezes cria cicatrizes profundas em pessoas que amam por não conseguirem abandonar uma “persona” profissional, que quando se olha bem de perto, não tem nada a ver com a família ou filhos, mas sim com sonhos, desejos, ambições, que advém disfarçados na “persona” de pai ou mãe. Para que você trabalha mesmo?

Myrian Rios e o pré-conceito

admin Artigos 22 janeiro 2024
Por Alê Esclapes -  Primeiramente gostaria de deixar claro que esse post não pretende tratar de preconceito aos gays, mas pré-conceito à ignorância.Posto o objeto de estudo convido o leitor a visitar a página: http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/famosos/2011/06/27/278404-myrian-rios-dispara-eu-tenho-direito-de-nao-querer-um-homossexual-como-meu-empregado e se possível que se assista ao vídeo da deputada estadual do Rio de Janeiro, e se não for abusar da boa vontade, dos comentários deixados no site.  Vamos fazer uma brincadeira simples (mas muito séria) com a frase da Nobre Deputada, trocando uma única palavra e ver o que acontece. Primeiramente a frase dita, e em negrito o que será substituído por outra palavra: “Não sou preconceituosa e não discrimino. Só que eu tenho que ter o direito de não querer um homossexual como meu empregado, eventualmente... Por exemplo, digamos que eu tenha duas meninas em casa e a minha babá é lésbica. Se a minha orientação sexual for contrária e eu quiser demiti-la, eu não posso. O direito que a babá tem de querer ser lésbica, é o mesmo que eu tenho de não querer ela na minha casa. São os mesmos direitos. Eu vou ter que manter a babá em casa e sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas, e eu não vou poder fazer nada ...Se eu contrato um motorista homossexual, e ele tentar, de uma maneira ou outra, bolinar meu filho, eu não posso demiti-lo. Eu quero a lei para demitir sim, para mostrar que minha orientação sexual é outra”. Agora uma pequena substituição: “Não sou preconceituosa e não discrimino. Só que eu tenho que ter o direito de não querer um negro como meu empregado, eventualmente ... Por exemplo, digamos que eu tenha duas meninas em casa e a minha babá é negra. Se a minha cor de pele for contrária e eu quiser demiti-la, eu não posso. O direito que a babá tem de querer ser negra, é o mesmo que eu tenho de não querer ela na minha casa. São os mesmos direitos. Eu vou ter que manter a babá em casa e sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas, e eu não vou poder fazer nada ...Se eu contrato um motorista negro, e ele tentar, de uma maneira ou outra, bolinar meu filho, eu não posso demiti-lo. Eu quero a lei para demitir sim, para mostrar que minha cor de pele é outra”. Que tal outra: “Não sou preconceituosa e não discrimino. Só que eu tenho que ter o direito de não querer um nordestino como meu empregado, eventualmente ... Por exemplo, digamos que eu tenha duas meninas em casa e a minha babá é nordestina. Se a minha ascendência for contrária e eu quiser demiti-la, eu não posso. O direito que a babá tem de querer ser nordestina, é o mesmo que eu tenho de não querer ela na minha casa. São os mesmos direitos. Eu vou ter que manter a babá em casa e sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas, e eu não vou poder fazer nada ...Se eu contrato um motorista nordestino, e ele tentar, de uma maneira ou outra, bolinar meu filho, eu não posso demiti-lo. Eu quero a lei para demitir sim, para mostrar que minha ascendência é outra”. E mais outra: “Não sou preconceituosa e não discrimino. Só que eu tenho que ter o direito de não querer um pobre como meu empregado, eventualmente ... Por exemplo, digamos que eu tenha duas meninas em casa e a minha babá é pobre. Se a minha classe social for contrária e eu quiser demiti-la, eu não posso. O direito que a babá tem de querer ser pobre, é o mesmo que eu tenho de não querer ela na minha casa. São os mesmos direitos. Eu vou ter que manter a babá em casa e sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas, e eu não vou poder fazer nada ...Se eu contrato um motorista pobre, e ele tentar, de uma maneira ou outra, bolinar meu filho, eu não posso demiti-lo. Eu quero a lei para demitir sim, para mostrar que minha classe social é outra”. E mais outra: “Não sou preconceituosa e não discrimino. Só que eu tenho que ter o direito de não querer um feio como meu empregado, eventualmente ... Por exemplo, digamos que eu tenha duas meninas em casa e a minha babá é feia. Se a minha estética for contrária e eu quiser demiti-la, eu não posso. O direito que a babá tem de querer ser feia, é o mesmo que eu tenho de não querer ela na minha casa. São os mesmos direitos. Eu vou ter que manter a babá em casa e sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas, e eu não vou poder fazer nada ...Se eu contrato um motorista feio, e ele tentar, de uma maneira ou outra, bolinar meu filho, eu não posso demiti-lo. Eu quero a lei para demitir sim, para mostrar que minha estética é outra”. Em outras palavras, não adianta tentar “travestir” preconceito como pré-conceito, como um “direito”. De acordo com nossa constituição, a senhora não tem o direito de ser preconceituosa. O mundo está cheio de armadilhas naquilo que não é dito, mas subentendido. O preconceito esta na estrutura do pensar e aquele que apoia um tipo de preconceito, assina embaixo a possibilidade de sofrer do mesmo mal.

O anel que tu me deste

admin Artigos 21 janeiro 2024
Por Ale Esclapes -  ... era vidro e se quebrou. O amor que tu me tinhas, era pouco e se acabou.” Essa é uma pequena metáfora da confusão emocional que se estabelece entre mãe e filho, e que marca essa relação pelo resto da vida, deixando marcas profundas em cada um dos pares. E tudo isso com uma pequena contribuição do pieguismo social. Uma das maiores angústias da mulher (se não a maior) é saber se pode ou não gestar um filho. Muitas vezes todas as suas frustrações (que no ser humano não são pequenas) são direcionadas para esse evento, como se ter um filho resolvesse todas as angustias da vida. Em muitos casos também, esses indivíduos não conseguiram atingir o “status” de adulto, e não tendo podido velar e enterrar a infância com dignidade, tentam pular a fase adulta, tornando-se mãe, retornando aos dois únicos personagens da vida da infância: a mãe e o filho, numa eterna brincadeira de boneca.  Freud escreveu em “Uma introdução ao narcisismo” que amamos nossos filhos de acordo com o que gostaríamos de ser, de acordo com o que fomos, ou do que somos – em suma, amamos nossos filhos como uma extensão de nós mesmos, como um espelho que deveria refletir nossa imagem. Existe uma enorme dificuldade de vermos os filhos como seres separados, com um sentido de vida independente do nosso, com desejos que muitas vezes não levam em consideração os de seus pais. “Cria-se filhos para o mundo!” Todo mundo sabe disso, mas da boca para fora – para dentro a conversa é outra. Esses dois quadros dão uma boa ideia de pelo menos um dos principais ingredientes do amor materno (e paterno): REDENÇÃO! (mas não o único). O filho pelo seu lado é tratado principalmente na primeira infância como o centro da casa. Para essa criança ela não é apenas o centro da casa, mas o centro do universo (pelo menos do universo que essa criança conhece). Todas as suas necessidades são prontamente supridas por uma mãe que enxerga, entre outras coisas, a redenção dela nessa criança. É o amor incondicional materno que cria uma ilusão que um dia fomos “os mestres do universo”. Porém tudo isso é falso e necessário, e esse par tem um encontro marcado com a verdade – que não somos o centro do universo e que nossos filhos não são nossa redenção. Quanto mais cedo isso ocorrer (e formos capazes de assimilar isso) poderemos assumir a responsabilidade por nossas vidas. Essa confusão de sentimentos é necessária, pois somente uma mãe que acredita que seu bebê é sua redenção pode lhe dar amor incondicional, acordar seis vezes por noite para dar-lhe de mamar, etc ... E sem esse amor incondicional, sem essa sensação de que um dia fomos o centro do universo, estaríamos condenados a loucura, e a sofrermos de uma eterna baixa estima.
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