O Grupo Pavese originário foi constituído em 2005 por Antonino Ferro, Maurizio Collovà, Giuseppe Civitarese, Fulvio Mazzacane, Giovanni Foresti, Elena Molinari e Pierluigi Politi. Atualmente, permanecem no grupo Antonino Ferro, Giuseppe Civitarese, Maurizio Collovà, Fulvio Mazzacane e Elena Molinari, aos quais se juntaram, em 2014, Mauro Manica e Violet Pietrantonio. Michele Bezoari, embora não esteja concretamente presente no grupo, é reconhecido por seus integrantes como uma importante referência teórica para o pensamento de Campo e para a Psicanálise.
Para compreender o trabalho desses psicanalistas, é importante recuperar alguns elementos da trajetória teórica do Grupo Pavese. O grupo encontrou nos desenvolvimentos mais tardios do pensamento de Wilfred Ruprecht Bion um caminho para pensar uma Psicanálise na qual o inconsciente não é compreendido apenas como um recipiente de conteúdos reprimidos que precisam ser revelados. O inconsciente passa a ser pensado também como algo que se cria continuamente na relação, permitindo desenvolver a capacidade de sonhar e transformar experiências emocionais que ainda não puderam ser pensadas.
A partir do diálogo entre Bion e a tradição do Campo Bipessoal, o Grupo Pavese desenvolveu progressivamente uma Teoria do Campo pós-bioniana. Nessa perspectiva, aquilo que acontece durante uma análise não pertence exclusivamente ao paciente nem pode ser compreendido separadamente da participação do analista. A sessão torna-se um espaço de produção compartilhada: personagens, narrativas, imagens, emoções e pensamentos que emergem no encontro podem ser compreendidos como expressões do próprio Campo e transformados pela dupla analítica.
Os desenvolvimentos mais recentes levam essa concepção ainda mais longe, em direção ao vértice do Nós. Em vez de permanecer apenas na relação bipessoal Eu/Tu, passa-se a considerar aquilo que se constitui entre analista e paciente. O interesse desloca-se para o Campo como uma realidade cocriada, para seu clima emocional e para a possibilidade de a dupla transformar experiências que ainda não encontraram condições para serem sonhadas. A história individual não desaparece, mas deixa de ocupar sozinha o primeiro plano.
É justamente a partir desse território teórico comum que podemos compreender melhor os integrantes do Grupo Pavese. Eles compartilham determinados fundamentos, mas desenvolveram vértices próprios de investigação. O sonho, a narratividade, a intersubjetividade, a intercorporeidade, o Nós, a literatura, a infância, a família, as patologias graves e a rêverie aparecem com diferentes ênfases em seus trabalhos. Conhecer seus percursos permite, portanto, observar como uma construção coletiva pode produzir diferentes caminhos dentro de um mesmo Campo.
Antonino Ferro
Psiquiatra e psicanalista da Sociedade Psicanalítica Italiana e da Associação Psicanalítica Internacional, com funções de formador, Antonino Ferro foi presidente da Sociedade Psicanalítica Italiana e recebeu o Sigourney Award. Idealizador e fundador do Grupo Pavese, é um dos principais expoentes da Teoria do Campo pós-bioniana e profundo conhecedor do pensamento de Wilfred Ruprecht Bion.
Entre seus interesses científicos estão a teoria do personagem, a transformação em sonho, as transformações narrativas, a interpretação fraca ou não saturada, a sessão de análise como sonho cocriado e a intersubjetividade.
Giuseppe Civitarese
Psiquiatra e psicanalista com funções de formador da Sociedade Psicanalítica Italiana, da Associação Psicanalítica Internacional e da American Psychoanalytic Association, Giuseppe Civitarese recebeu o Sigourney Award em 2022.
Seus interesses científicos concentram-se na Teoria pós-bioniana do Campo, na intersubjetividade e intercorporeidade, na coconstrução da sessão e na superação da visão bipessoal. Também investiga o Em-comum e o Nós em Psicanálise, a análise como desenvolvimento da capacidade de sonhar estados emocionais não representados e o diálogo entre Psicanálise e Filosofia.
Maurizio Collovà
Psiquiatra, membro ordinário da Sociedade Psicanalítica Italiana e da Associação Psicanalítica Internacional. Foi Secretário Científico do Centro Psicanalítico de Pavia durante a presidência de Antonino Ferro.
Seus interesses científicos incluem a Teoria pós-bioniana do Campo Analítico, a Psicanálise como sonho cocriado, a teoria do personagem, a origem intersubjetiva e intercorporal do aparato de pensamento e o critério de sustentabilidade da análise.
Fulvio Mazzacane
Psiquiatra, membro ordinário com funções de formador da Sociedade Psicanalítica Italiana e da Associação Psicanalítica Internacional. Já foi Secretário Científico e Presidente do Centro Psicanalítico de Pavia.
Há muitos anos dedica-se aos desdobramentos pós-bionianos da Teoria do Campo, colocando-os em diálogo com a literatura. É também estudioso dos mitos clássicos e da narratologia.
Elena Molinari
Pediatra e psicanalista, Elena Molinari é membro ordinário da Sociedade Psicanalítica Italiana e da Associação Psicanalítica Internacional. Já foi Secretária Científica Nacional da Sociedade Psicanalítica Italiana e é docente da Academia de Belas-Artes de Brera de Teoria e prática da terapêutica artística.
Seus interesses científicos incluem a Psicanálise de crianças e adolescentes, notadamente a integração binocular com o grupo familiar, o setting, o estudo da eficácia terapêutica, os processos transformadores em Psicanálise, o sonho, a imaginação e a Teoria do Campo pós-bioniana.
Mauro Manica
Mauro Manica é psiquiatra e membro ordinário com funções de formador da Sociedade Psicanalítica Italiana e da Associação Psicanalítica Internacional. Passou a integrar o Grupo Pavese em 2014.
Seus interesses científicos abrangem a Psicanálise das patologias graves, incluindo transtornos da personalidade, psicose e espectro autista, além da integração de uma perspectiva ontológica à perspectiva epistemológica, isto é, de uma Psicanálise ativa a uma Psicanálise contemplativa.
Violet Pietrantonio
Psicóloga especializada em Psicologia Clínica, psicanalista e membro associado da Sociedade Psicanalítica Italiana e da Associação Psicanalítica Internacional. Passou a integrar o Grupo Pavese em 2014.
Seus interesses científicos incluem a Teoria do Campo Analítico pós-bioniana e o modelo onírico da mente, a transformação em sonho das intuições do último período de Wilfred Ruprecht Bion, o desenvolvimento do processo onírico durante a sessão e as funções e possível utilização da rêverie no trabalho analítico.
Um grupo, diferentes vértices
Percorrer os interesses desses autores permite compreender melhor o que significa falar em Grupo Pavese. Existe um território teórico compartilhado — Wilfred Ruprecht Bion, o Campo, o sonho, a transformação e a cocriação da experiência analítica —, mas cada integrante se aproxima desse território a partir de um vértice particular.
Em Antonino Ferro encontramos a transformação em sonho, o personagem e a sessão cocriada; em Giuseppe Civitarese, a intersubjetividade, a intercorporeidade e o Nós; em Maurizio Collovà, a sustentabilidade e a origem relacional do pensamento; em Fulvio Mazzacane, o diálogo com a literatura, os mitos e a narratologia; em Elena Molinari, a infância, a família, a imaginação e os processos transformadores; em Mauro Manica, as patologias graves e a dimensão ontológica; e, em Violet Pietrantonio, o processo onírico e a rêverie. São percursos distintos que permanecem ligados por uma mesma investigação sobre aquilo que acontece entre analista e paciente.
A Teoria do Campo aparece, assim, não como um sistema fechado que seus integrantes simplesmente reproduzem, mas como um campo de investigação em permanente desenvolvimento. Aquilo que começou em Pavia como um grupo reunido para discutir sessões de análise continua a produzir novas perguntas sobre o sonho, o pensamento, a relação analítica e as possibilidades contemporâneas da Psicanálise.
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