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A Evolução da Sexualidade na Teoria Freudiana

A Evolução da Sexualidade na Teoria Freudiana

Por Paula A. Rebellato -

Para Freud a sexualidade não é apenas o ato reprodutivo entre adultos, mas uma força potente e complexa presente desde o nascimento. Neste sentido, a infância seria o nascedouro das pulsões sexuais no ser humano. Ao separar o conceito de “sexual” e “genital”, Freud amplia a ideia de busca pelo prazer para as diversas zonas erógenas do corpo, assim como também para as suas funções biológicas. 

Por exemplo, o ato da criança chupar no seio da mãe, para além de necessidade e nutrição, é também uma manifestação de natureza sexual. Ela poderá buscar a mesma sensação de prazer através do autoerotismo, ou seja, encontrará uma zona erógena eficiente em seu corpo (sucção da pele com a boca, por exemplo), para repetir a sensação de prazer já vivida anteriormente, sem a necessidade do objeto externo (o seio). A criança “perversa polimorfa” é um conceito que descreve a multiplicidade das formas (significado do polimorfa) pelas quais a criança pode encontrar o prazer, desviando-se da norma (perversa por fugir a norma e não em um sentido pejorativo) que limita a sexualidade como função apenas reprodutiva.

Freud organizou o desenvolvimento psicossexual em fases: oral, anal, fálica, latência e genital. A fase fálica é marcada pelo descobrimento das diferenças sexuais e é neste período que se situa o Complexo de Édipo. As experiências e desejos sexuais desta fase são especialmente intensas e angustiantes e, portanto, são empurradas para o inconsciente. É este recalque que inaugura a entrada para a fase de latência - momento onde as pulsões sexuais são “adormecidas” e as energias redirecionadas (sublimação) para as exigências do mundo exterior e também onde são criadas as futuras barreiras (formação reativa) sexuais, ou seja, é o momento onde sentimentos como vergonha e/ou nojo surgem como defesas e a moralidade e a ética começam a ser absorvidos pela criança. O que é recalcado são as representações ligadas às pulsões sexuais infantis que entram em conflito com esta moralidade em formação. 

Nos estudos sobre a Histeria, Freud explica o recalque como uma defesa contra uma lembrança de um evento traumático real, geralmente ligado a um abuso sexual, sedução, etc. Já nos Três Ensaios sobre a Sexualidade, ele opera uma virada teórica fundamental: desloca a origem do trauma do campo factual para o campo da fantasia. O conteúdo reprimido expande para além de um abuso sofrido e engloba também as manifestações da sexualidade infantil, pulsões, desejos incestuosos.