EPP - Escola de Profissionais da Psicanálise

Uma breve análise do complexo de Édipo no menino

Uma breve análise do complexo de Édipo no menino

admin Artigos 21 fevereiro 2024

Por Andreia Rodrigues dos Santos - 

Por volta dos 03, 04 anos a criança já teve experiências de perder objetos que achava vitais em sua vida, ou seja, a criança edipiana é perfeitamente capaz de se representar à perda de um objeto que lhe era importante e temer que isso se repita. Nessa fase o prazer do menino já é voltado para o pênis. Representante do desejo o pênis é então dito falo. Falo não é o pênis enquanto órgão – falo é um pênis fantasiado, idealizado, símbolo da onipotência e de seu avesso, à vulnerabilidade.


- Os três desejos incestuosos: Quando o menino se vê excitado sexualmente e orgulhoso de seu poder, esse menino de 4 anos se vê desejoso de ir de em direção ao Outro, em direção aos seus pais (ou tutores). Sexual, quer dizer mais que genital, sexual quer dizer: ‘Deixa-me olhar teu corpo nu! Arranca-lo, senti-lo, beija-lo, devora-lo e ate mesmo destruí-lo. A criança deseja os corpos daqueles que ama: o pai, a mãe, o adulto tutelar; numa tentativa infantil de realizar em desejo incestuoso irrealizável, cujo objetivo não é o prazer em si, mas o gozo – o gozo nesse termo seria a fusão total. No desejo incestuoso mítico no menino (desejo de possuir o outro, desejo de ser possuído pelo outro e desejo de suprimir) o menino cria fantasias que lhe dão prazer ou angustia, mas que satisfazem imaginariamente seus loucos desejos. A fantasia tem como função substituir uma ação ideal que tenta proporcionar um gozo não humano por uma fantasia que baixa a tensão do desejo e suscita prazer, angustia ou ainda outros sentimentos penosos. A queda da tensão psíquica também pode se traduzir por um sofrimento consciente. As sensações despertam o desejo, o desejo remete à fantasia e a fantasia se atualiza através de um sentimento, um comportamento ou uma fala: dai entra a análise. Vamos as fantasias: fantasia de possuir o outro: fantasia de possessão, Ex: apoderar-se da mãe e tê-la só para si; fantasia de ser possuído pelo outro: criança tornar-se objeto (criança imagina-se possuído – a criança seduz para ser seduzida e na fantasia se isso prevalece causa uma histeria masculina difícil de ser tratada chamada de pedra de castração; fantasia de suprimir o outro: tomo pra mim.

- As três fantasias de angustia de castração: as fantasias de prazer também desencadeiam profundas angustia – o menino tem ser punido – seu maior medo é perder o falo que ele tem- essa angustia é inconsciente, ela nunca deixa de ser inconsciente. A angustia é o avesso do prazer, apesar de indissociáveis. A castração é tudo aquilo que me tira o prazer, é a frustação. O Édipo mal resolvido suscita as neuroses adultas, a evitação da castração causa neuroses, tiques, manias, perversões. A angustia de castração e o seu retorno como recalcado na vida a adulta é a medula espinhal da neurose masculina.  O prazer e o medo de ser punido esta na base dessa neurose, logo o Édipo é uma neurose.   O menino ao ver o corpo nu de uma menina percebe que ela não tem um pênis, com isso o menino acha que a menina fez algo e perdeu seu pênis, desde então o menino deve com medo de perder o seu também, logo ao inverso da fantasia de prazer, tem-se as três fantasias de angustia: se a angustia é possuir a mãe= o pai pode castrar (pai repressor); se a angustia de prazer é de sedução (de ser possuído pelo outro) – pai sedutor castra. O pai é um amante que o menino deseja – o castrar aqui significa perder a virilidade, tornando-se mulher objeto do pai; se a angustia de prazer é uma fantasia de afastar o pai rival – a ameaça incide novamente no pênis-falo (pai odiado).

A resolução do complexo de Édipo no menino: a dessexualização dos pais: angustiada, a criança se esquiva dos pais para manter seu pênis-falo. É o pênis que ele protege e é a mãe que ele abandona. Ao renunciar a mãe, dessexualiza globalmente os dois pais, e recalca os desejos, fantasias e angustias. Aliviado, pode agora abrir-se á outros objetos de desejo, mais legítimos e adaptados as suas possibilidades reais. Para o homem, o sexo, a virilidade e a força são coisas a serem defendidas a todo custo, e quando esse complexo mal resolvido retorna como neurose, a culpa e o medo colocam o homem numa posição onde as possibilidades permeiam ao pai castrador, ao pai rival e ao pai odiado.

Os frutos do Édipo: o supereu e a identidade sexual: o supereu é instituído graças a um gesto do psiquismo: o menino abandona os pais como objetos sexuais e os mantem como objetos de identificação. Na impossibilidade de tê-los promete ser como eles, e os sentimentos que exprimem são pudor, senso de intimidade, vergonha e delicadeza moral.

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